1000 Fãs Verdadeiros

Esta é uma adaptação de um texto de Kevin Kelly, no blog Technium sobre artistas e renda em tempos de internet e cauda longa. Esta tradução é autorizada pelo autor que disponibiliza seu conteúdo em uma licença Creative Commons.

A cauda longa é uma notória boa notícia para duas classes de pessoas; uns poucos sortudos agregadores, como a Amazon e Netflix, e 6 bilhões de consumidores. Desses dois, acho que os consumidores ganham a maior parte da recompensa nas riquezas escondidas em nichos infinitos.

Mas a cauda longa é decididamente uma benção duvidosa para os criadores. Artistas individuais, produtores, inventores e criadores estão superpopulados na equação. A cauda longa não aumenta as vendas dos criadores, mas adiciona competição massiva e uma pressão pela queda infinita nos preços. A menos que os artistas se tornem grandes agregadores de outros artistas, a cauda longa não oferece caminhos além da quieta calmaria das minúsculas vendas.

Além de tentar um hit avassalador, o que artistas podem fazer para escapar da cauda longa?

Uma solução é encontrar 1000 Fãs Verdadeiros. Enquanto alguns artistas devem descobrir este caminho sem o chamar assim, vale a pena tentar a formalização. A definição de 1000 Fãs Verdadeiros pode ser simplesmente colocada como:

Um criador, como um artista, músico, fotógrafo, performer, animador, designer, videomaker ou autor – em outras palavras, qualquer um produzindo trabalho de arte – precisa adquirir apenas 1000 Fãs Verdadeiros para ter seu sustento.

Um Fã Verdadeiro é definido como alguém que irá a adquirir toda e qualquer coisa que você produzir. Eles irão dirigir 300 quilometros para vê-lo cantar. Eles irão comprar o box super deluxe em alta definição re-lançado de seu material mesmo se já tiver a versão em baixa definição. Eles possuem um Google Alert para seu nome. Eles colocaram com favorito sua página no eBay onde você vende suas cópias impressas. Eles compram a camiseta, a caneca, o chapéu. Eles não conseguem esperar seu próximo trabalho. Eles são Fãs Verdadeiros.

Gráfico dos fãs verdadeiros na Cauda Longa

Para elevar suas vendas acima da linha plana da cauda longa, você precisa conectar-se com seus Fãs Verdadeiros diretamente. Outra forma de estabelecer isso é, você precisa converter 1000 Fãs Menores em mil Fãs Verdadeiros.

Assuma conservadoramente que cada um dos seus Fãs Verdadeiros irá gastar um dia de seu salário anul suportando aquilo que você faz. Este “um-dia-de-salário” é uma média, pois é claro que seus Fãs Verdadeiros gastarão mais do que isso. Vamos assumir que com aquele per diem cada Fã Verdadeiro gaste $ 100 por ano. Se você tiver 1000 Fãs Verdadeiros, isso lhe dá uma soma de $ 100.000, o que, fora despesas modestas, é o suficiente para o sustento de muitas pessoas.

Mil é um número atíngivel. Você pode contar com 1000. Se ganhasse um fã ao dia, isso levaria apenas três anos. E o número de Fãs Verdadeiros é dobrável. Agradar um Fã Verdadeiro é prazeiroso e revigorante. Isso favorece o artista a permanecer sincero, a focar-se nos aspectos únicos de seu trabalho, as qualidades que os Fãs Verdadeiros apreciam.

O desafio principal é que você precisa manter contato direto com seus 1000 Fãs Verdadeiros. Eles estão lhe dando seu suporte diretamente. Talvez vão aos seus shows, ou estão comprando os DVDs em seu website, ou eles compram cópias de suas fotos. Tanto quanto possível, você retém o montante total de seu suporte. Você também se beneficia diretamente do feedback e amor.

As tecnologias de conexão e manufaturação rápida, fazem este círculo possível. Blogs e feed RSS liberam notícias, novas aparições ou trabalhos. Websites hospedam galerias de trabalhos passados, arquivos com informação biográfica e catálogos de parafernália. Criadores de disco, Blurb, lojas, MySpace, Facebook, e todo o domínio digital conspiram para fazer a duplicação e disseminação de quantidades pequenas de forma rápida, fácil e barata. Você não precisa de um milhão de fãs para justificar a produção de algo novo. Mil são suficientes.

Este pequeno círculo de fãs obstinados, que podem prover seu sustento, é cercado por círculos concêntricos de Fãs Menores. Estas pessoas não irão comprar tudo o que você faz, e podem nem procurar contato direto, mas eles irão consumir muito do que produz. O processo que você desenvolve para alimentar seus Fãs Verdadeiros, também irá nutrir Fãs Menores. Assim que você adquire novos Fãs Verdadeiros, você também pode adicionar mais Fãs Menores. Se você continuar desta forma, terminará tendo milhões de fãs e atingirá um hit. Não conheço qualquer criador que não esteja interessado em ter um milhão de fãs.

Mas, o ponto desta estratégia é dizer que você não precisa de um hit para sobreviver. O céu do caminho do meio é chamado de 1000 Fãs Verdadeiros.E é uma destinação alternativa para um artista buscar.

Jovens artistas começando neste mundo mediado digitalmente possuem outro caminho além do estrelato, um caminho feito possível pela mesma tecnologia que criou a cauda longa. Você não precisa tentar a pequena cabeça do domínio dos mais vendidos para escapar da cauda longa. Ao invés de tentar alcançar o difícil e alto nível dos hits de platina, arrasa-quarteirões, status de celebridades, essa tecnologia pode ajudá-lo no contato direto com os 1000 Fãs Verdadeiros. É uma destinação muito mais sã do que uma de fortuna. Você é circulado não pela infatuação da moda passageira, mas por Fãs Verdadeiros. E você estará mais disposto a realmente chegar lá.

Algumas notas. Esta fórmula – mil Fãs Verdadeiros diretos – é adaptada para uma pessoa, o artista solo. O que acontece em um dueto, quarteto, ou equipe de cinema? Obviamente, você precisará de mais fãs. Mas os fãs adicionais que você irá precisar estão em proporção geométrica direta ao aumento do tamanho de seu grupo criativo. Em outras palavras, se você aumentar o tamanho do grupo em 33%, você irá precisar de apenas mais 33% de fãs. Este crescimento linear está em contraste com o crescimento exponencial pelo qual muitas coisas no domínio digital infacionam. Eu não ficaria surpreso de descobrir que o valor de uma rede de Fãs Verdadeiros segue a mesmas regras das redes comuns, e aumenta pelo quadrado do número de membros. Assim, seus Fãs Verdadeiros conectam-se com aos outros, facilmente aumentando a sua média de gasto nos seus trabalhos.Então, enquanto o aumento do número de artistas envolvidos na criação, aumenta o número de Fãs Verdadeiros necessários, de forma calma e em proporção.

Uma precaução importante: nem todo artista é feito para, ou mesmo quer, ser um cultivador de fãs. Muitos artistas apenas querem tocar suas músicas, fotógrafos apenas querem tirar suas fotos, pintores pintar, e seus temperamentos não os permitem lidar com fãs, especialmente Fãs Verdadeiros. Para estes criativos, precisa-se da ajuda de um mediador, um agente, um gerente, um curador – alguém que lide com seus fãs. De qualquer forma, eles podem continuar precisando da mesma destinação dos 1000 Fãs Verdadeiros. Eles apenas trabalham em dueto.

Terceira distinção. Fãs diretos são melhores. O número de Fãs Verdadeiros necessários para o sustento indiretamente aumenta rápido, mas não infinitamente.Tome blogs como exemplo. Por causa do suportede fãs para um blogueiro através de cliques em anúncios (exceto nas ocasionais doações), mais fãs são necessários para um blogueiro obter sustento. Mas, enquanto isto move a destinação para a esquerda na curva da cauda longa, continua muito longe do território dos arrasa-quarteirões. O mesmo é verdade em publicar um livro. Quando você tem corporações envolvidas em tomar a maioria do ganho por seu trabalho, então leva mais tempo para mais Fãs Verdadeiros suportarem-o. Depende do grau que um autor cultiva contato com seus/suas fãs, menor o número necessário.

Por último, o número real pode variar dependendo da mídia.Talvez seja 500 Fãs Verdadeiros para um pintor e 5000 Fãs Verdadeiros para um videomaker. Os números podem certamente variar ao redor do mundo. Mas, na verdade, o número real não é crítico, pois não pode ser determinado exceto por tentativa. Uma vez que você esteja no patamar, o número real se tornará evidente. Este será o número de Fãs Verdadeiros que funciona para você. Minha fórmula pode estar longe de uma ordem de magnitude, mas mesmo assim, é bem menos que um milhão.

Eu estive pesquisando a literatura para qualquer referência para o número de Fãs Verdadeiros. Carl Steadman, co-fundador do Suck.com, tem uma teoria sobre microcelebridades. Por sua conta, uma microcelebridade é alguém famoso para 1500 pessoas. Como citado por Danny O’Brien, “uma pessoa em cada cidade britânica gosta de sua estúpida tira on-line”. É o suficiente para mantê-lo com cerveja (ou vendas de camisetad) todo o ano”.

Outros chamam o suporte a microcelebridades de micro patrocínio ou suporte distribuído.

Em 1999, John Kelsey e Bruce Schneieir publicaram um modelo para isto em Fisrt Monday, um jornal on-line. Eles chamaram de Protocolo do Perfomista de Rua.

Usando a lógica do perfomista de rua, o autor vai diretamente aos leitores antes do livro ser publicado; talvez antes mesmo de ser escrito. O autor ignora o editor e faz um anúncio público na ordem de: “Quando eu tiver $ 100.000 em doações, eu irei lançar a próxima novela nesta série”.

Leitores podem ir ao webiste do autor, verem quanto dinheiro já foi doado, e darem dinheiropara fazer o lançamento da novela. Note que o autor não se importa quem paga o próximo capítulo, nem mesmo se importa quantas pessoas lêem o livro que não pagaram por isso. Eles apenas se importa se os $ 100.000 foram atingidos. Quando isso acontece, ele publica o próximo livro. Neste caso, “publicar” simplesmente significa “deixar disponível”, não “impresso e distibuído em livrarias”. O livro é tornado disponível, sem custos, a todos: aqueles que pagaram e aqueles que não pagaram.

Em 2004, o autor Lawrence Watt Evan usou este modelo para publicar sua mais recente novela. Ele pediu a seus fãs que pagassem coletivamente $ 100, ele então postaria o próximo capítulo da novela. O livro inteiro foi publicado peor seus Fãs Verdadeiros, e então depois, por seus fãs. Ele está agora escrevendo uma segunda novela desta forma. Ele estima ter aproximadamente 200 Fãs Verdadeiros porque ele também publica da maneira tradicional – com as vantagens de uma editora suportada por centenas de Fãs Menores. Outros autores que usaram fãs para diretamente suportar seu trabalho foram Diane Duane, Sharon Lee e Steve Miller, e Don Sakers. O game designer Greg Stolze usou um modelo similar para lançar dois jogos pré-financiados, metade de seus Fãs Verdadeiros enviaram dinheiro para cobrir os custos de desenvolvimento.

A genialidade do modelo de Fãs Verdadeiros é que os fãs ficam aptos a mover um artista da margem da cauda longa para um degrau maior do que seus números indicam. Eles podem fazer isso de três formas, ao comprar mais de um item por pessoa, ao gastar mais diretamente assim o criador ganha mais por venda e ao criar novos modelos de suporte.

Novos modelos de suporte incluem micro patrocínio. Outro modelo é o custo inicial pré-financiado. A tecnologia digital permite que o suporte dos fãs tomem várias formas. Fundable é uma empresa baseada em web, na qual permite qualquer um a juntar uma quantidade fixa de dinheiro para um projeto, enquanto assegura que os investidores que o projeto irá acontecer. Fundabel guarda o dinheiro até a quantidade completa é coletada. Eles retornam o dinheiro se o mínimo não é atingido.

Screenshot do Fundable

Aqui um exmplo retirado do site da Fundabel:

Amelia, uma cantora soprano clássica de vinte anos, pré-vende seu primeiro CD antes de entrar em um estúdio de gravação. “Se eu conseguir $ 400 em pré-vendas, estarei apta a racar com o resto (dos custos do estúdio)”, ela diz aos potenciais compradores. O modelo tudo-ou-nada da Fundabel assegura que nenhum de seus compradores perca dinheiro se ela falhar em atingir o objetivo. Amelia vendeu $ 940 em álbuns.

Mil dólares não manteriam mesmo um artista da fome, mas com séria atenção, um artsiat dedicado pode fazer melhor com seus Fãs Verdadeiros. Jill Sobule, uma musicista que tem lidado com um grande grupo que a acompanha através dos naos de turnês e gravações, está fazendo bem contando com seus fãs para financiar os $ 75.000 dos custos de gravação profissional que ela precisa para seu próximo álbum. Ela conseguiu chegar perto de $ 50.000 até agora. Por suportá-la diretamente via patrocínio, os fãs ganham intimidade com a artista. De acordo com a Associate Press:

Compradores podem escolher um nível de suporte, indo de $ 10 “rocha não afiada”, que ganha o download digital do disco quando pronto, até $ 10.000 “conjunto de armas de plutônio”, onde ela promete “Você virá aqui e contará no meu CD. Não se preocupe se você não sabe cantar – nós podemos consertar isso no final”. Por $ 5.000 Sobule diz que irá realizar um show na casa do doador. Os níveis menores são os mais populares, onde ganham coisas como uma cópia melhor do CD, menção nas notas de produção e camisetas os identificando como “produtores executivos júnior” do CD.

A alternativa usual de fazer uma vida baseada em Fãs Verdadeiros é a pobreza.Um estudo de 1995 mostrou que o preço de aceitar ser um artista era alto. A sociologista Ruth Towse entrevistou artistas na Grã Bretanha e determinou que a média que ganhavam estava entre os níveis de subsistência.

Estou sugerindo um lugar para criativos entre a pobreza e o estrelato. Em algum lugar mais baixo que a estratosfera dos mais vendidos, mas maior que a obscuridade da cauda longa. Eu não sei se o verdadeiro número está correto, mas acho que um artista dedicado poderia cultivar 1000 Fãs Verdadeiros. e por seu suporte, usando novas tecnologias, ter uma vida honesta. Eu amaria ouvir relatos de alguém que conseguiu atingir tal caminho.

Esta é uma adaptação de um texto de Kevin Kelly, no blog Technium sobre artistas e renda em tempos de internet e cauda longa. Esta tradução é autorizada pelo autor que disponibiliza seu conteúdo em uma licença Creative Commons.

Minhas 100 Dicas Para Escrever

Homage to Babsi
Creative Commons License crédito: Stompy

Eu não me considero um grande escritor, no sentido de dominar a gramática, criar estruturas belas e fascinantes de texto. Minha força, acredito, está na imaginação, humor, sentimentalismo e capacidade de citar referências como uma metralhadora giratória. Por isso, na hora de colocar minhas criações no papel eu realmente tenho um trabalho duro. Sou o pior no que faço de melhor, mas após dois livros já posso compartilhar algumas dicas de como eu fui tentando escrever melhor.

Dica Um

O escritor e editor por muitos anos do New Yorker, E.B. White, disse quando recebeu a Medalha Nacional de Literatura: “…a coragem de um escritor pode facilmente derrubá-lo…Eu admiro qualquer um que tenha culhões para escrever qualquer coisa”.

Ao começar a escrever, faça um compromisso consigo mesmo: que você irá realmente fazer isso. Isso é crítico. Sem seu comprometimento, você poderia economizar em lápis e papel. Não irá acontecer. Lembre-se: escreva tanto quanto puder. É o que escritores fazem – eles escrevem.

Dica Dois

Tenha um tempo específico para escrever. Stendhal recomendava pelo menos duas horas por dia. Isso é importante, pois no decorrer do processo de escrever sua história, você ficará desencorajado, entediado, com raiva e insatisfeito. E quando se sentir assim, e você irá se sentir assim, é sempre aconselhável manter a rotina de escrever e continuar trabalhando.

Dica Três

Na primeira semana, decida sobre a história que irá escrever. Você não precisa trabalhar cada detalhes, pois isso emergirá do próprio processo. Mas procure não procrastinar – Procrastinação é seu inimigo. Matisse dizia a seus alunos: “Se você quer ser um pintor, corte sua língua fora”.

Planeje. Mas tenha em mente que o tempo de meramente falar sobre sua história deve acabar.

Dica Quatro

Simples e verdadeiro: escreva sobre o que está ao redor, sobre o que você conhece e sobre o que se importa.

Dica Cinco

Não importa qual o tipo de livro que você decida escrever, não há regras a não ser que a história deve ser muito, muito interessante. Ela pode ser excitante, assustadora, divertida, engraçada ou triste – mas isso não deve aborrecer o leitor.

Dica Seis

Analise e aprenda.

Dica Sete

Embora não existam regras sobre ideias para histórias, eu prefiro ter uma preocupação: pensar pequeno. Um dos piores erros que muitos escritores fazem é pensar grande, tentando ficar com uma história do tipo fim-do-mundo, acreditando que é melhor. Não é verdade. Mantenha sua ideia pequena e focada.

Olhe para a sua criatividade e busque por uma pequena história que tenha um sentido real para você. Todos somos parte da família humana. Se você cria uma história que tenha um sentido profundo para você, as chances são grandes que isso tenha um sentido profundo para o resto de nós.

Dica Oito

Escreva suas próprias experiências. Elas são únicas.

Dica Nove

Não tenha medo de escrever cenas ou seções que não levem a nada.

Dica Dez

Escreva sobre algo que você sabe? Escreva algo sobre o que você ama.

Do note, conclusion
Creative Commons License crédito: Paul Watson

Dica 11

Saiba algo sobre o lugar ou as pessoas na história.

Dica 12

Escolha seus personagens antes de começar. Será muito mais fácil para você saber como eles reagirão aos acontecimentos programados por você.

Dica 13

Anote tudo. Não confie apenas em sua memória. E seja organizado.

Dica 14

Dicas de Hemingway para se escrever ficção:

- Use sentenças curtas.
- Use parágrafos inciais pequenos.
- Use linguagem vigorosa.
- Seja positivo, nunca negativo.

Dica 15

Desenvolva seus personagens e seu plot ao mesmo tempo. Acontecimentos moldam as pessoas e as afetam das mais diversas maneiras. A morte de um parente próximo não apenas lança uma pessoa no luto, como pode mudar sua vida financeira (para o bem ou para o mal), social e subjetiva.

Dica 16

Faça seus leitores acreditarem que seus personagens existem. Ao invés de colocar centenas deles, esforce-se para criar dois ou três memoráveis.

Dica 17

Lembre-se do mestre Kurt Vonnegut e suas oito dicas:

1. Escolha um assunto sobre o qual você se importe.

O seu interesse genuíno, e não qualquer jogo de palavras que possa fazer, é que terá o poder de seduzir o leitor.

2. Não se estenda.

3. Seja simples.

Lembre-se de que tanto Shakespeare quanto a Bíblia usaram palavras perfeitamente compreensíveis para as pessoas da época.

4. Tenha a coragem de cortar.

A eloquência deve curvar-se ante as ideias. Caso algumas lindas frases não acrescentem nada de novo ao que você está tentando dizer, corte-as sem perdão.

5. Soe como você mesmo.

Escreva da maneira como usa a língua, do lugar de onde você é. Não tente se passar por uma pessoa de outro lugar e outra cultura ou isto irá se refletir no seu poder de persuasão.

6. Diga o que tem a dizer de modo claro.

Leitores querem páginas que se pareçam com páginas, parágrafos e pontuação reconhecíveis. Não escolha criar jazz ou cubismo quando seu objetivo é se fazer entender.

7. Tenha pena dos leitores.

Nossas opções como escritores são limitadas, uma vez que os leitores são artistas imperfeitos na arte de ler. Nossa audiência requer um esforço de nossa parte de clarificar e simplificar, mesmo quando preferiríamos pairar acima de coisas tão chãs quanto a simplicidade.

8. Consulte livros de referência quanto a gramática e pontuação.

Dica 18

Como já disse Ivana Trump (mulher de Donald Trump) ao escrever um livro: “Escrever ficção é demais. Você pode inventar quase qualquer coisa”, algumas vezes os escritores ficam ou fascinados ou paralisados pelas possibilidades. Explore-as.

Dica 19

Woody Allen escreve seus roteiros e livros desta foram: Sempre que ele tem uma idéia, um diálogo, uma piada, ele a escreve em um pedaço de papel e joga em sua gaveta. Depois de um tempo ele a obra e junta as partes, criando uma nova obra. Muitos outros escritores utilizam o mesmo método.

Dica 20

Não tente imitar alguém no modo de escrever ou colocar palavras que não domina perfeitamente. Sua “voz” é a sua voz. Seu “estilo” é seu estilo. Requer paciência e tempo para aceitá-lo, mas isso vêm com o tempo. Seja natural.

Donald Keene at his Tokyo home
Creative Commons License crédito: ionushi

Dica 21

Monte uma linha do tempo. Se você não sabe como terminar uma história, nem deve começá-la. Escreva aquilo que você imagina ser o último parágrafo do livro. Mas não pense duas vezes em descartá-lo se tiver uma ideia melhor.

Dica 22

Nunca faça nada sem ter um objetivo em mente. Você simplesmente acabará chegando em lugar nenhum.

Dica 23

Dê uma caminhada. Nietzsche dizia que tinha suas melhores idéias durante caminhadas. Grant Morrisson vai além, falando do potencial criador das mesmas:

Quando se é garoto ou adolescente, você dá essas longas caminhadas nas quais você vai andando pela cidade fazendo conexões mitológicas e misteriosas entre fatos e situações em sua cabeça. Eu, assim como todas as pessoas, já fiz isso, mas havia um grupo de intelectuais e artistas na década de 60, chamados de Situacionistas, que identificava esse tipo de atitude como um ato revolucionário e isto leva diretamente à ideia de que você pode criar uma “zona autônoma temporária” usando sua imaginação no mundo de tal forma que você o cria de novo.

Dica 24

Tenha um começo e fim claros.

Dica 25

Recapitulando os itens necessários:

1. Um compromisso.
2. Um cronograma.
3. Ideia para a história.
4. Os personagens.
5. O que eles farão.
6. Como tudo irá acabar.

Dica 26

Comece a escrever. E mantenha uma certa média. 300-325 palavras, com espaço duplo correspondem a mais ou menos 4 páginas. Escrever isso por dia é relativamente simples. Um livro de 400 páginas neste ritmo levaria 100 dias de trabalho. Você pode escrever muito mais ou mesmo adotar uma cota menor. O importante é manter-se escrevendo.

Dica 27

Sua obra é de ficção. Mas não significa que os fatos a que você se refere não tenham que ser corretos. Eles acrescentam verossimilhança às histórias e contribuem para o leitor se envolver mais com elas. Todas as bibliotecas no mundo estão esperando por você. E sempre há o Google e a Wikipédia.

Dica 28

Conversas não são diálogos. Diálogos possuem um propósito. Eles levam a história um passo além ou revelam mais sobre os personagens. Isso mantém o leitor preso na história e o faz sentir-se no coração da ação. E sempre deixe claro ao leitor quem é que está falando.

Dica 29

Olhe-se no espelho. Descreva o que vê. Faça isso com menos de 300 palavras.

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Creative Commons License crédito: striatic

Dica 30

Kurt Vonnegut: “Talento é extremamente comum. O que é raro é força de vontade para suportar a vida de escritor. É como fazer o papel de parede da Capela Sistina com as mãos”.

Dica 31

Use um único ponto de vista de cada vez. Ao mudar ou decidir acomodar muitos outros ao longo da história, o faça de forma clara para não confundir o leitor.

Dica 32

Carregue um bloco de notas com você. Uma vez que você escreveu algo, você o possui.

Dica 33

Suspense é um ingrediente básico da ficção. Por que, se os leitores se perguntarem: “O que irá acontecer em seguida?”, eles continuarão lendo para descobrir.

Dica 34

Não se esqueça da linguagem corporal. Sinais não-verbais podem comunicar muito mais eficientemente do que com palavras.

Dica 35

Tente escrever e escrever. Deixe a edição para depois.

Dica 36

Invoque uma imagem a cada página.

Dica 37

Não tente fazer algo enorme apenas por fazer. O computador e a internet deixaram escrever e revisar ainda mais fácil. Continue pensando pequeno. O contexto determina a extensão, não o contrário. Um jogo de futebol pode parecer interminável para aquele não gosta de esportes ou ser muito rápido para outra pessoa.

Dica 38

Sem descrições os leitores não terão um senso de espeço e tempo – crítico para sua história. Mas com muito disso, eles ficarão rapidamente entediados.

Dica 39

Idéias, novas e únicas – são o que surpreendem, satisfazem e dão prazer ao leitor. Fique longe do fácil e da verdade. Escreva com imaginação.

Dica 40

Não subestime qualquer experiência sua. Qualquer exercício é válido. Não existem erros, só resultados. Não existem fracassos, apenas experiências de aprendizado.

Shoot!
Creative Commons License crédito: Peter Van Lancker

Dica 41

Pense nisso durante todo o dia. Conte com seu subconsciente.

Dica 42

Bons personagens crescem e evoluem de basicamente duas coisas: suas ações e suas crenças. Nós desenvolvemos um senso e compreensão das pessoas por aquilo que elas falam e pensam nos eventos dramáticos da história.

Dica 43

Pegue seu leitor pelo pescoço desde o inicio. Um começo…

Dica 44

Continue escrevendo.

Dica 45

Anton Chekhvov deu um simples conselho: “Se uma arma está na parede no primeiro ato, ela deverá ser descarregada até o final”. Isso é conhecido como “arma de Chekhov“, se algo está na história é para ser usado. Veja sua obra como um todo, onde cada parte deve ter um sentido. Corte tudo o que não faz sentido.

Dica 46

Há um custo emocional para se escrever bem. Dançarinos sabem que terão bolhas nos pés. Pianistas ensaiam com os dedos doloridos. Escrever não é algo em vão. Pelo menos não deveria. É mentalmente exaustivo, afinal, além de já ter que lidar com a sua vida, você ainda viverá outras.

Dica 47

Pode parecer narcisista, mas há muito de você nas histórias. Aceite isso e não desvalorize suas experiências.

Dica 48

Persistência é o que é requerido. Se qualquer um poder impedi-lo de ser escritor, então não seja.Nos templos budistas há séculos os candidatos têm sido testados da mesma forma. Você o manda embora, e se a vontade dele for tão forte que o faça esperar na porta sem comer sem dormir e sem convite por três dias, então ele pode entrar e começar o treinamento. O mesmo acontece com a escrita e qualquer atividade que requeira criatividade e concentração. Se você conseguir desistir facilmente, significa que você não deveria sê-lo em primeiro lugar.

Dica 49

Tenha um hobbie não relacionado a escrever. Jogue games, corra.

The Runner
Hamed Saber

Dica 50

Defina as coisas. Alguns leitores simplesmente são ignorantes de certas coisas e termos. Ninguém sabe tudo, nem você.

Dica 51

Quer relaxar e ficar inspirado? Que tal visitar este blog interessante com belos designers de capas de livros? Vale a visita.

Dica 52

Fitzgerald: “Personagem é ação”. E suas ações geralmente envolvem outras personagens, e essas interações são o que fazem as cenas.

Dica 53

Crie tensão.

Dica 54

Use o máximo de sentidos que puder e como isto afeta o personagem, o que ele sente.

Dica 55

Chuck Palahniuk, diz que para competir com a televisão, filmes e jogos, ele prefere verbos ao invés de adjetivos. Verbos em cima de verbos. Como Mae Brown notou: “Verbos te jogam direto na rodovia”.
Mark Twain também chamava atenção para o fato de as escolhas das palavras serem importantes na confecção de uma história: “Use a palavra certa, não seu primo de segundo grau”.

Dica 56

Seja específico, definitivo e concreto.

Dica 57

Tire uma folga. Tome um dia ou uma semana. Após esse tempo, você irá ver seu trabalho com novos olhos.

Dica 58

Sua história pode ser leve nos assuntos tratados ou curtas no estilo, mas personagens de carne-e-osso com motivações e tratos verossímeis podem salvar qualquer livro ao ganhar a simpatia do leitor.

Dica 59

Não conte, mostre. Não diga ao leitor o que sentir. Mostre ao leitor o personagem e a situação.

Dica 60

Se você escrever cinco páginas por dia por sessenta dias, terá 90.000 palavras. Um livro de bom tamanho. É hora de começar a re-escrever e editar.

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Creative Commons License crédito: practicalowl

Dica 61

Se você tiver 300 páginas, elas fazem uma novela? Bem, a resposta somente será sim se ela tiver começo, meio e fim – e não necessariamente nessa ordem.

Seu final deve responder afirmativamente a uma pergunta: Você resolveu o problema apresentado?

Dica 62

Básico: Cheque a ortografia de seu texto.

Dica 63

Imprima seu livro.

Dica 64

Coloque seu livro em algum lugar e o deixe sozinho por umas duas semanas. Esqueça dele por um tempo. Vá aproveitar o sol.

Dica 65

Agora que ficou distante de seu livro, o leia do começo ao fim. Mas nada de pular partes. Anote linhas e frases que estão estranhas, mas continue lendo. Não se preocupe em reescrever. Não ainda.

Dica 66

Faça edição. Corte até a raiz do texto. Vá capítulo por capítulo se livrando de prosa excessiva.

Dica 67

Re-leia suas páginas, uma a uma. Esteja atento às estruturas ruins de sentenças.

Dica 68

Corte metáforas excessivas. Mas nunca corte algo de que irá se arrepender.

Dica 69

Livre-se de adjetivos desnecessários.

Dica 70

As dicas de George Orwell:

Nunca use chavões, metáforas ou outras figuras de linguagem que você esteja acostumado a ver na imprensa.

Nunca use uma palavra longa onde uma curta é suficiente.

Se for possível cortar uma palavra, sempre a corte.

Nunca use a voz passiva se puder usar a ativa.

Nunca use uma frase estrangeira, um termo científico ou um jargão se você consegue pensar em um equivalente comum.

Quebre qualquer destas regras antes de escrever alguma barbaridade.

Lizzy (day 60 outtake)
Creative Commons License crédito: margolove

Dica 71

Sexo, sangue e violência não estão proibidos. Mas lembre-se de não exagerar.

Dica 72

Livre-se das exclamações, interrogações e parênteses desnecessários.

Dica 73

Elimine o uso desnecessário de palavras e frases estrangeiras e o uso inadequado de certas palavras.

Dica 74

Escolha dez pessoas que você conhece e escreva uma descrição delas em apenas uma frase.

Dica 75

Escreva uma biografia sua de 500 palavras.

Dica 76

Deixe sua novela tão forte quanto puder. As primeiras páginas são aquelas que mostrarão ao leitores o quão talentoso você é. Ao final do processo, volte à elas e as re-escreva. Notará que agora você já escreve melhor do que quando começou.

Dica 77

Mantenha um diário de um personagem ficcional. Escreva sem compromisso, uma ou duas vezes por semana. Pode ser que ele seja matéria prima para alguma história sua, ou será um grande exercício prático.

Dica 78

Pegue um trecho de algo que você escreveu em primeira pessoa e verta-o para terceira pessoa ou vice-versa. Você também pode tentar este exercício alterando a tensão, os narradores ou outro elemento estilístico. Não faça isto com um livro inteiro. Prefira obras curtas. Uma vez que você começou com um estilo, nunca releia o que você já escreveu até ter terminado por completo a fase de criação ou você gastará seu tempo re-escrevendo em vez de escrever.

Dica 79

Tente identificar sua memória de infância mais remota. Escreva tudo o que você consegue lembrar sobre ela. Re-escreva como se fosse uma cena. Você pode escolher fazer isto com a sua perspectiva atual ou com a sua perspectiva na época.

Into the Unknown
Creative Commons License crédito: Thomas Hawk

Dica 80

A Jornada do Herói:

1.Mundo Comum
2.Chamado à Aventura
3.Recusa do Chamado
4.Encontro com o Mentor
5.Travessia do Primeiro Limiar
6.Testes, Aliados, Inimigos
7.Aproximação da Caverna Oculta
8.Provação
9.Recompensa
10.Caminho de Volta
11.Ressurreição
12.Retorno com o Elixir

Dica 81

1. Mundo Comum

O herói é apresentado em seu dia-a-dia.

Exemplo: A história de “O Hobbit” começa com a apresentação do Condado e de Bilbo em sua toca-casa.

Dica 82

2. Chamado à Aventura

A rotina do herói é quebrada por algo inesperado, insólito ou incomum.

Exemplo:
Gandalf, o mago, aparece na porta de Bilbo e o convida para participar de uma aventura.

Dica 83

3. Recusa do Chamado

Como já diz o próprio título da etapa, nosso herói não quer se envolver e prefere continuar sua vidinha.

Exemplo: Bilbo recusa o convite de Gandalf pois “não era respeitável para um hobbit sair em busca de aventuras”.

Dica 84

4. Encontro com o Mentor

O encontro com o mentor pode ser tanto com alguém mais experiente ou com uma situação que o force a tomar uma decisão.

Exemplo: Por influência de Gandalf e de instintos herdados de sua família, Bilbo decide participar da aventura.

Dica 85

5. Travessia do Primeiro Limiar

Nessa fase, nosso herói decide ingressar num novo mundo. Sua decisão pode ser motivada por vários fatores, entre eles algo que o obrigue, mesmo que não seja essa a sua opção.

Exemplo: Bilbo e seus companheiros de aventura se deparam com três trolls numa floresta. Bilbo, como ladrão “designado” pelo grupo, arrisca-se em descobrir mais sobre os trolls e até tenta rouba-los.

Dica 86

6. Testes, Aliados, Inimigos

A maior parte da história se desenvolve nesse ponto. No mundo especial – fora do ambiente normal do herói – é que ele irá passará por testes, receberá ajuda (esperada ou inesperada) de aliados e terá que enfrentar os inimigos.

Exemplo: A aventura de Bilbo continua. Ele passa por Valfenda, a terra dos elfos, atravessa as Montanhas Sombrias, a Floresta das Trevas e a Cidade do Vale.

Dica 87

7. Aproximação da Caverna Oculta

O herói se aproxima do objetivo de sua missão, mas o nível de tensão aumenta e tudo fica indefinido.

Exemplo: Bilbo chega, finalmente, à Montanha Solitária, o covil de Smaug, o dragão.

Dica 88

8. Provação

É o auge da crise – precisa dizer mais?

Exemplo: Bilbo, sozinho, enfrenta o dragão, num diálogo no qual ele tenta descobrir as fraquezas do monstro.

Dica 89

9. Recompensa

Passada a provação máxima, o herói conquista a recompensa.

Exemplo: Bilbo consegue retirar o dragão da Montanha Solitária e os homens da Cidade do Lago matam o monstro.

Dica 90

10. Caminho de Volta

É a parte mais curta da história – em algumas, nem sequer existem. Após ter conseguido seu objetivo, ele retorna ao mundo anterior.

Exemplo: Bilbo se prepara para voltar para casa.

Dica 91

11. Ressurreição

Aqui o herói pode ter que enfrentar uma trama secundária não totalmente resolvida anteriormente.

Exemplo: Um exército de Orcs e Lobos Selvagens ataca os anões da Montanha, elfos da Floresta e os homens da Cidade. Acontece a Batalha dos Cinco Exércitos.

Dica 92

12. Retorno com o Elixir

É a finalização da história. O herói volta ao seu mundo, mas transformado – já não é mais o mesmo.

Exemplo: Finalmente, Bilbo retorna ao lar. Escreve um livro sobre suas aventuras, e se torna o estranho hobbit que gosta de aventuras.

Frodo and Sam
Creative Commons License crédito: Dunechaser

Dica 93

Georges Polti dizia que para se ter uma história de sucesso devia-se tratar de temas que o leitor já tenha vivido e com os quais possa se identificar. Em 1870 ele reuniu em um livro as 36 situações dramáticas que expressam todas as emoções capazes de sensibilizar o gênero humano. Escolha uma delas e mãos à obra:

(1) Implorar; (2) o Salvador; (3) a Vingança que persegue o crime; (4) Vingar parente por parente; (5) Acuado; (6) Desastre; (7) Vítima de; (8) Revolta; (9) Tentativa audaciosa; (10) Rapto; (11) o Enigma; (12) Conseguir; (13) ódio de parentes; (14) Rivalidade com parentes; (15) Adultério mortal; (16) Loucura; (17) Imprudência fatal; (18) Crime de amor involuntário; (19) Matar um parente ignorado; (20) Sacrificar-se pelo ideal; (21) Sacrificar-se pelos parentes; (22) Sacrificar tudo pela paixão; (23) Ter que sacrificar a família; (24) Rivalidade entre desiguais; (25) Adultério; (26) Crimes de amor; (27) Ser informado da desonra de um ser amado; (28) Amores proibidos; (29) Amar um inimigo; (30) a Ambição; (31) Luta contra Deus; (32) Ciúme equivocado; (33) Erro judiciário; (34) Remorso; (35) Reencontrar; (36) Perder a família.

Note que muitas histórias consagradas não apenas se baseiam em uma das situações dramáticas, mas unem duas ou mais.

Dica 94

Relembre uma antiga discussão com outra pessoa. Escreva sobre a discussão sob o ponto de vista da outra pessoa. Lembre que a ideia é escrever sob a perspectiva dela, e não da sua. Este é um exercício para falar através de outro, não para provar se você está certo ou errado.

Dica 95

Escolha um autor, um que você gosta mas não necessariamente seu favorito, e faça uma lista das características que você gosta no estilo dele. Faça isso puxando pela memória, sem reler as obras. Após, releia alguns dos trabalhos e veja se você perdeu algo ou se suas respostas mudam. Analise que elementos do estilo de escrita dele você pode acrescentar ao seu próprio e quais você não deve ou não pode. Lembre-se que seu estilo é seu e que você só deve pensar em maneiras de acrescentar ao seu estilo. Nunca tente imitar alguém em mais do que em um ou dois exercícios.

Dica 96

Tente identificar sua memória de infância mais remota. Escreva tudo o que você consegue lembrar sobre ela. Re-escreva como se fosse uma cena. Você pode escolher fazer isto com a sua perspectiva atual ou com a sua perspectiva na época.

Dica 97

Sente em um restaurante ou local movimentado e escreva fragmentos dos diálogos que você ouve. Escute as pessoas à sua volta – como falam e quais palavras usam. Uma vez que isto esteja feito, você pode praticar terminando seus diálogos. Escreva a sua versão do que vem a seguir no diálogo. Combine o estilo de sua escrita com o estilo das pessoas.

Dica 98

COMO SER UM ESCRITOR

Simples. Declare-se um escritor, aja como um escritor, escreva diariamente.

Seja honesto sobre seu progresso, seus sucessos e falhas. O escritor mergulha no Imenso Outro na busca de pistas, truques e tesouros que possa trazer para casa a fim de enriquecer a vida no mundo sólido. E se necessário, fingir ter feito isso.

Dica 99

COMO SER UM ESCRITOR 2

Leia muitos livros que você goste para entrar no clima. Conversar sobre literatura com não-leitores é como conversar com virgens sobre transar. Ler sobre escrever é como ler sobre sexo; Isso o deixaria excitado para a coisa real ,mas não o deixaria perto de se divertir muito.

Ler dará um sentimento do que é merda e o que pode ser utilmente adaptado para seu estilo próprio. Desenvolva discernimento. Use estilos, autores & personagens como inspiração, mas busque ser você mesmo.

Dica 100

COMO SER UM ESCRITOR 3

Uma palavra, quatro letras: AÇÃO. Feche os livros, pare de dar desculpas e COMECE.

Assim que você COMEÇAR já vai estar anos-luz da grande maioria das pessoas. Vocês não tem ideia do número de pessoas que me dizem que queriam escrever um livro. Muitas contam até detalhes do enredo. Mas uma ideia sem exebcução infelizmente não vale nada, você não pode registrar direitos autorais sobre ideias, por exemplo. A primeira vez que for escrever, escreva com o coração. A segunda deve ser com a cabeça. E a segunda vez, o reescrever, é o ponto em que eu gosto de dar ênfase especial: escrever é reescrever! E prepare-se para perder o sono, ficar com a bunda quadrada, trabalhar como um louco, suar, ter dores horríveis de cabeça, desatenção com a vida cotidiana, falta de tempo para sair… Escrever é um compromisso e uma atividade dura, não é só se sentar e começar a digitar que simplesmente vai acontecer — Se acredita nisso, está redondamente enganado. Ou você mergulha de cabeça ou é melhor ficar pela praia, apreciando a vista e se deliciando com as histórias dos que mergulharam e trouxeram tesouros escondidos das profundezas huamanas, quanto mais fundo eles mergulham, mais ricos eles são. E acredite, mesmo que você nunca mergulhe, ficar pela praia também é muito recompensador.

Late night
Creative Commons License crédito: selva

Que tipo de escritor você é?

Ontem estava pensando nos diversos tipos de escritores. Na verdade tudo começou com uma reflexão sobre o tipo de escritor que eu era/sou. Então tentei expandir minha reflexão para os outros. Por exemplo, eu já tive “bloqueio de escritor” algumas vezes. Em trabalhos específicos, não sabia como continuar ou encerrá-lo. É um tormento. Mas sempre me ocorreu no curso de algum desenvolvimento, nunca tive bloqueio a ponto de não ter história para contar ou não saber exatamente como começar. Eu não estou blogando com frequencia devido a minha total falta de tempo e por extravasar minha criatividade em outros meios. E é bem por aí que quero chegar.

Por quê as pessoas escrevem? Digo, por que alguém se senta e diz: “Vou escrever um livro?”. O primeiro que disser algo como “hoje em dia ninguém lê mais que 140 caracteres” me fará sacar minha arma e coloco com chapéu de burro atrás da porta. Nunca antes na história da humanidade e na história do produto cultural que compreende o que chamamos de “livro” se leu tanto e sobre tantos assuntos como hoje. Nunca se publicou tantos autores, nunca se leu tanto. Ainda que se argumente que best-sellers não tem valor e blablabla, não devemos nos esquecer que deve ter algum valor para o cara que lê, gosta e recomenda. E por “ler” e “publicar” uso no sentido amplo e possível dos termos.

Ok, mas qual a resposta para a pergunta do parágrafo anterior? Com mais gente publicando fica cada vez mais difícil ser notado e, acredito que seja o mais importante, lido. Eu mesmo tenho umas doze histórias fazendo fila na minha cabeça para serem contadas. Meu grande problema nunca foi não ter o que escrever e sim ter tanto o que escrever que logo que começava um, tinha uma grande ideia para uma segunda e depois outra e depois outra, ao ponto de ter muita coisa começada, muitas cenas órfãs e muitos papéis de palnejamento e anotações de obras invisíveis. Por quê eu escrevo? Porque é a forma mais barata de arrancar isso de dentro de mim.

O Jorge Luís Borges dizia que os escritores publicam para se livrarem das histórias e ele estava certo. Ao publicar “EQM” senti um alívio tremendo e vivi sem o peso dela em minha consciência, ainda que agora, anos depois tenha voltado para me assombrar (tenho que reescrevê-la). Mas veja bem, minha imaginação é multimídiatica. Eu imagino cenas com enfoques particulares, luzes específicas, sons. A melhor tradução de minhas histórias seriam através de filmes. Mas só de pensar que filmes são coisas extremamente caras, eu já me sinto frustrado. Escrever é mais rápido, só depende de mim e é mais barato. E eu quero me livrar delas de dentro de mim.

Algumas pessoas acreditam automaticamente que, se você é um escritor, você tem algo a dizer. Ou muito a dizer. Não estou certo que seja verdade, em relação a mim ao menos. Embora tenha uma ou outra coisa a dizer sempre, eu não julgo que minha opinião poderia de alguma forma ajudar a humanidade, pelo contrário. Minhas opiniões servem muito bem para mim, e só. Embora eu sempre vá defender a democracia em qualquer esfera, meus sentimentos não são nenhum pouco democráticos. São tirânicos. O que eu tenho é uma enormidade de sentimentos e sensações a respeito do Universo que exigem tanto de mim, que tenho que mostrá-los ao mundo, ou como eu venho abordando aqui, de arrancar isso de dentro de mim. Me livrar disso.

Basicamente é por isso que eu escrevo. E você?

Não importa o tipo de escritor que você seja, por favor, expresse-se nos comentários, gostaria de saber por que você escrever.

Algumas Observações no Campus Party

Lawrence Lessig no Campus Party Brasil 2010

O estranho da direito sou eu

Então eu fui ao caleidoscópio, vibrante e mercantilizado até a medula evento conhecido como Campus Party. E adorei. Aprendi muitas coisas. Inclusive de como a produção simbólica e envolvimento com as marcas que as ações de marketing e publicidade realizam lá, de alguma forma, imbuiam de sentido ao menos que por alguns minutos ou menos a vida dos que envolviam nos atos.

Ouvi muitos reclamando, pelo Twitter, desse fato pejorativamente. Para mim, foi um laboratório em larga escala, ainda que trabalhasse com uma demografia e segmentos bem específicos de público.

Uma das áreas que eu mais gostei foi sem dúvida a do Barcamp. Assuntos mais diversificados, maior interação entre as pessoas e ótimos assuntos.

Conheci o Lawrence Lessig, o que foi ótimo. Foi o meu momento fanboy no Campus.

Me inscrevi na área de Criatividade/blogs e alguns dos painéis foram realmente interessantes, enquanto outros perdas de tempo, mas isso é normal. Aposto que os painéis que desagradaram foram os melhores para alguém e vice e versa. Vi como muitos blogueiros super descolados e “famosos” são pessoas sem embasamento nenhum e que não possuem reflexões além dos lugares comuns, da atividade que desempenha todos os dias. De onde eu venho chamamos isso de “alienação”.

Faço estudos em comunicação e o uso errôneo do termo redes sociais que causava arrepios. E eu me arrepiei muito. Redes sociais, aliás o próprio termo “rede”, são metáforas para descrever que existe algum tipo de interação entre os nós, os atores que em conjunto e analisando as os outros atores com quem interagem, dependendo dos protocolos culturais, sociais e econômicos emerge um padrão específico de ligações, que chamamos “rede”. Mas ao que parece, as pessoas bem informadas que estavam lá associavam “redes sociais” com Twitter, Orkut e Facebook. Que não passam de interfaces de aplicações, com todos os agenciamentos possíveis, intencionais ou não, que seus desenvolvedores criaram no momento de sua execução. As redes sociais se apropriam desta ferramentas, claro. É uma forma de gerenciar a sua rede e até mesmo visuizá-la melhor. Mas de forma algum deveriam ser confundidos com a rede em si. São plataformas de relacionamentos. Mas de forma alguma, estar adicionado em um perfil o coloca automaticamente na rede social daquela pessoa. Pode ser o catalizador ou primeiro ponto de contato, mas somente a interação entre os atores é o que o associa a uma rede específica.

Veja o número de Dunbar. É uma pesquisa interessante que mostra que nosso cérebro somente consegue lidar com no máximo 150 amigos. Conexões embuídas de sentido. Para além desse número não temos interações verdadeiras. E mesmo podendo adicionar 1000 pessoas em um perfil ou mais, ao analizar-se as plaraformas de relacionamentos, descobriu-se que as pessoas ainda se limitam aos 150 amigos. Se você segue alguém no Twitter e é um de seus 100.000 seguidores, me desculpe dizer isso, mas você não faz parte da rede social dela/dele. Talvez ele faça parte de sua obsessão, sempre acompanhando, tentando interagir, mas isso é apenas um efeito perverso da mídia que embodera certos individuos quando os mesmos adquirem imensa visibilidade, denominado por Merton e Lazarsfeld como “atribuição de status”. Mas ainda assim, ela/ele não faz parte de sua rede social, apenas de sua imaginação. O que é nem triste.

Uma coisa que senti falta foi conhecimento de pessoas que trabalham com comunicação de teoria da comunicação. Conceitos simples como “espiral do silêncio” eram desconhecidos. Não sei se é preguiça ou por acharem que os conceitos das teorias não se aplicam à Internet, mas se aplicam. A todo momento, em diversas discussões eu me sentia como se estivesse vendo alguém tentando reinventar a roda ao invés de simplesmente usá-la em novas construções, ideias e soluções. Quando Hakim Bey disse que conhecer a história é estar condenado a ver idiotas a repetindo. Ele estava certo. o pior foi sujeitos que já trabalharam em grandes veículos do broadcasting dizerem que “nunca antes na história humana tivemos esse tipo de interação social”. Hahahaha. Eu ri.

Só para citar um exemplo. O projeto “Doe mais que um clique” que apareceu em um painel por lá. O criador estava lá e reclamou da falta de adesão, etc. A culpa seria da falta de engajamento das pessoas, etc. Mas se analizarmos bem, usando a plataforma do Twitter para gerar esse tipo de ação, para mim, era óbvio que não era a plataforma adequada. Primeiro: Acompanhar todas as mensagens no Twitter é impossível. Por melhores que sejam as ferramentas para isso, tentar se atualizar com todas é virtualmente impossível. A pessoa termina por acompanhar suas listas, e alguns assuntos que lhe são caros. Terminamos por pregar para uma audiência de convertidos, por assim dizer. Muita mensagem relevante fica perdida no fluxo. Segundo: ao contrário do que foi dito, mesmo doar sangue “não custa nada”. Cada ação humana tem algum tipo de custo. E essa informação não é irrelevante. Doar sangue fica dependente do histórico médico da pessoa, disponibilidade de tempo, disponibilidade de locomoção até o lugar, momento emocional e mesmo envolvimento com a mensagem. Ás vezes as pessoas estão simplesmente cansadas de tanto trabalhar. E analisando os prós e contras, resolvem ficar em casa. E talvez fazer um “retweet”, passar a mensagem adiante, para ela já signifique alguma coisa. Ela “participa” da ação. E isso nos leva para o terceiro item: difusão da responsabilidade social:

Faça um cabo de guerra sozinho e puxe como um touro. Faça em equipe e puxe como um…sei lá, no máximo um boi.

Em 1883, o francês Max Ringelmann conduziu esse estudo bastante simples, mas que mostra que o trabalho em equipe nem sempre garante os melhores resultados. Na verdade, pode nos tornar mais preguiçosos. Ringelman instalou um medidor de forca de tração em uma corda usada em um cabo de guerra e descobriu que as pessoas faziam menos força em grupo do que quando puxavam sozinhas. A esta característica grupal foi dado o nome de Ringelman Effect ou Social Loafing (preguiça social). E por que acontece esse fenômeno? Difusão de responsabilidade. Quanto mais difícil de avaliar e/ou isolar uma performance individual diluída em um esforço grupal, menor a motivação de seus participantes. Lembra do seu trabalho em grupo na faculdade? Lembra da última pelada com os amigos? Tem sempre um fazendo cara de esforço pra disfarçar. É o “RINGELMAN”! Ou o “MAX” (mais fácil). Procure o Max na sua empresa ou escola amanhã, tenho certeza que vai ser fácil.

Mas a verdade é que todos nós batemos palma mais fraquinho quando fazemos parte de uma platéia grande demais.

A vida em grupo é boa. Mas é uma formação que distorce motivações, propósitos, egos e responsabilidades. [fonte]

Não sou contra movimentos de ajuda, claro. Alguns funcionam. Mas é como planejar campanhas publicitárias, deve-se estudar como mobilizar as pessoas corretamente. E em se tratando de esperar a bondade humana ainda vou mais além e digo que devemos esperar um ROI mínimo. Bem próximo do zero. Mas isso é outra história, papo de quem vê o copo meio vazio.

Enfim, foi alguma das observações no Campus Party, mas tenho uma pilha aqui esperando para serem melhores analisadas, corrigidas, etc.

Olá, mundo!

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