“O Monstro de Mariana”

Sei bem que os deixei apreensivos ficando tanto tempo sem falar. Mas as ideias corriam de mim, em todas as direções, as palavras pareciam ser meras peças associadas arbitrariamente a sons guturais que nada significavam. Não conseguiria me expressar, nem que tentasse. Não era bloqueio, não era falta — pelo contrário: era excesso, era abundância; eu transbordava.

O Monstro de Mariana

Escrevi o conto “O Monstro de Mariana” em 2017 como resultado do “Final de Semana do Terror”, uma iniciativa de juntar escritores nos mais diversos níveis de escrita com escritores já consagrados seja pela crítica ou pelo mercado. Participei como um dos mais amadores, sem nenhum conto publicado no gênero. A ideia era passar um final de semana em um sítio isolado com autores convidados Ilana Casoy, Raphael Montes e Santiago Nazarian, e a editora Mariana Rolier. Via como uma chance de apresentar a história em que trabalhava na época e se encaixa no gênero e colher feedback e também como uma ótima experiência de imersão e aprendizado. Sentia que eles tinham muito a nos ensinar — e realmente foi uma experiência transformadora.

Passado um ano, eu ainda continuo trabalhando na história que trabalhava naquela época! E que alterei fundamentalmente com base nos feedbacks e nas conversas que presenciei. Um dos nossos objetivos era um mês a partir daquele encontro, escrever um conto para, juntos, publicar uma antologia. Como a história que trabalhava era um romance e não queria explorá-la em conto — para mim se trata muito da estrutura e da forma de desenvolvê-la. Cada história pede uma estrutura diferente e não via como colocar a minha no formato conto, então ao longo do evento eu buscava também descobrir sobre o que escrever.

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Quem tem medo do aquecimento global?

Em 30 anos, se nada for feito, milhões de pessoas vão morrer. Infelizmente não é a descrição de alguma trama distópica — como eu bem gostaria! —  é a conclusão de um estudo publicado pelo IPCC, o painel intergovernamental de mudanças climáticas da ONU, fundado em 1988. Não é a conclusão de um estudo, nem mesmo de uma dezena deles, é o resultado da análise de dados vindos de centenas de organizações e cientistas distribuídos pelo mundo que compartilham seus dados, sem qualquer tipo de compensação financeira, totalizando por volta de 6.000 fontes primárias de informação. Você pode encontrar o estudo completo aqui ou ir direto ao estudo em uma versão condensada para tomadores de decisão.

Mais assustador que qualquer monstro

É alarmante e assustador. Basicamente: a humanidade, i.e. o conjunto de seres humanos que habitam este planeta nesse exato momento,  têm 12 anos para mudar drasticamente os rumos de nosso futuro, como o canal Second Thought ilustra nossa situação nesse vídeo que, está em inglês, mas faz um excelente trabalho em explicar por que deveríamos estar preocupados com os efeitos do Aquecimento Global e por que esse relatório é tão tão sombrio.

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“Brasil, uma profecia”

No último dia 12 de outubro publiquei após um longo hiato, um conto distópico sobre o Brasil governado por um presidente extremista. Entre os dias 13 e 17 o livro estará disponível gratuitamente para download na Amazon.

O conto é dedicado ao Clube de Leitura da Blooks SP pois foi nesse clube de leitura, dedicado à ficção científica que eu participo desde seu primeiro encontro em 2016 que eu me reconectei, junto com outras variáveis igualmente importantes, à escrita. Posso afirmar que o clube foi o catalisador criativo para mim. Trocar de uma forma totalmente horizontal as experiências de leituras com outras pessoas e ver como tramas, personagens e ideias são espalhados me deixou muito interessado a voltar a explorar esta faceta de minha existência.

De certa forma e grau, sempre fui interessado em leitura e mesmo em escrita — produzir narrativas e histórias é algo que eu sempre tive, ainda que muito tempo não exercitasse. Em 2007 eu cheguei a publicar minha primeira tentativa (e falha) em narrativas: uma novela chamada “EQM – Experiências de Quase Morte” sobre uma empresa oferecendo aos seus clientes a possibilidade de passar por essas experiências em um ambiente controlado e mudar suas vidas.

Foi publicada de forma independente através de “mecenato” como eu chamei a vaquinha que fiz com os leitores do meu blog na época, que se chamava 1001 Gatos de Schrödinger. Consegui levantar o dinheiro necessário na época em menos de 24 horas em uma época que o nome crowdfunding ainda nem era utilizado — eu havia me baseado nas ideias do Kevin Kelly na postagem “1000 True Fans”.

Após isso eu acabei escrevendo ainda alguns contos pequenos e uma outras duas novelas, que nunca publiquei, uma sobre uma guerra separatista de São Paulo que eu chamava “Declínio e Queda do Império Americano” e uma outra que eu não conclui mas que na época acreditava que escreveria e levei ao Catarse, com o nome “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam”. Mas a verdade é que desde o lançamento de “EQM” eu estava criativamente insatisfeito com os resultados da mesma.

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