10 melhores livros que li em 2018

Costumava fazer essas retrospectivas no Facebook, mas acredito que faz muito mais sentido fazer no meu próprio “quintal” digital ainda que o link vá circular por lá.  A ideia é mais um exercício pessoal de olhar para trás e analisar o que de melhor eu li e como eu acredito que essas obras me impactaram.  A ordem não é de “melhor para menos melhor” pois não acho que dê para comparar muito a gradação do quanto eu gostei deste ou daquele. E note que são livros que li em 2018, não são necessariamente edições deste ano ou mesmo lançamentos, ainda que um ou outro sejam, mas apenas os que li. Sempre fica coisa de fora e me pego pensando “deveria ter colocado X” ou “Ah e Y! Poxa, esqueci Y” , mas uma lista tal como essa, é sempre incompleta e assumindo isso, aqui vou eu:


“O Idiota”, Fiódor Dostoiévski

Talvez um dos maiores livros que eu tenha lido na vida. O Príncipe Míchkin me impactou muito, assim como vários personagens ao longo do livro. “O Idiota” é o segundo, cronologicamente na composição, dos “Cinco Elefantes” escritos por Dostoiévski (“Crime e Castigo”, “O Idiota”, “Os Demônios”, “O Adolescente” e “Os Irmãos Karamazov”), apelido dado aos romances da maturidade do escritor no documentário “Die Frau mit den 5 Elefanten” (A mulher com os 5 elefantes), sobre a história de Svetlana Geier, que traduziu do original os cinco grandes romances, só que para o alemão. No Brasil, a tarefa coube a Paulo Bezerra, e a Folha fez uma matéria a respeito.

Dostoiévski te leva a fundo na alma humana, e olha, algumas visões são terríveis, terríveis. Mas, sempre, necessárias. Recomendo com muita ênfase que busquem as edições da editora 34. Na adolescência gravitei para tentar ler os romances dele mas as traduções do francês me afastaram de conhecer sua obra antes, o que só foi possível com as competentes traduções desta casa editorial. Tudo deles e o trabalho do Rubens Figueiredo, pela Cosac antes e agora Cia das Letras e Todavia, recomendo de olhos fechados. Eles o te levarão a um caminho sem volta para se apaixonar por literatura russa!

Meu projeto atual de leitura é ler os cinco elefantes na ordem em que foram escritos, estou agora para iniciar “Os Demônios”.

Continue lendo

Pilha Infinita ∞ + 1

Este é o número inaugural da minha newsletter, a Pilha Infinita. O objetivo é compartilhar algumas das coisas que estou lendo, pesquisando, explorando, assistindo e pesquisando.

“Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política”, Evgeny Morozov, 2018 pela Ubu, livro físico 

Acompanho o trabalho do Morozov desde que li, anos atrás o livro “To Save Everything, Click Here” em que ele denunciava o que chamou de “solucionismo”, uma prática corrente do Vale do Silício mas que foi exportada com muito sucesso para todo o mundo de que basta linhas de código e todos os problemas do mundo serão resolvidos. Eu mesmo já estive completamente imerso nesse contexto, fui “co-fundador” de uma startup e participei de dezenas de eventos como participante e mais tarde mentor. Sistemas e relações complexas não conseguem ser resolvidos de forma simples por mais que seu aplicativo pareça incrível, mas é incrível como é sedutor esses “Simplificadores absolutos” que nos levam a acreditar que problemas e fenômenos complexos tem soluções e causas simples.  Nos ensaios do livro, Morozov aborda mais uma vez isso contextualizando política e economicamente a colonização tecnológica que estamos imersos e muitas vezes nem nos damos conta. Livro fundamental para se pensar criticamente o momento atual em nossa sociedade.

Acompanhe o autor no Twitter. O livro está disponível na versão física, inclusive direto da editora, e digital, na AmazonLeitura imprescindível.

Continue lendo

“O Monstro de Mariana”

Sei bem que os deixei apreensivos ficando tanto tempo sem falar. Mas as ideias corriam de mim, em todas as direções, as palavras pareciam ser meras peças associadas arbitrariamente a sons guturais que nada significavam. Não conseguiria me expressar, nem que tentasse. Não era bloqueio, não era falta — pelo contrário: era excesso, era abundância; eu transbordava.

O Monstro de Mariana

Escrevi o conto “O Monstro de Mariana” em 2017 como resultado do “Final de Semana do Terror”, uma iniciativa de juntar escritores nos mais diversos níveis de escrita com escritores já consagrados seja pela crítica ou pelo mercado. Participei como um dos mais amadores, sem nenhum conto publicado no gênero. A ideia era passar um final de semana em um sítio isolado com autores convidados Ilana Casoy, Raphael Montes e Santiago Nazarian, e a editora Mariana Rolier. Via como uma chance de apresentar a história em que trabalhava na época e se encaixa no gênero e colher feedback e também como uma ótima experiência de imersão e aprendizado. Sentia que eles tinham muito a nos ensinar — e realmente foi uma experiência transformadora.

Passado um ano, eu ainda continuo trabalhando na história que trabalhava naquela época! E que alterei fundamentalmente com base nos feedbacks e nas conversas que presenciei. Um dos nossos objetivos era um mês a partir daquele encontro, escrever um conto para, juntos, publicar uma antologia. Como a história que trabalhava era um romance e não queria explorá-la em conto — para mim se trata muito da estrutura e da forma de desenvolvê-la. Cada história pede uma estrutura diferente e não via como colocar a minha no formato conto, então ao longo do evento eu buscava também descobrir sobre o que escrever.

Continue lendo

Quem tem medo do aquecimento global?

Em 30 anos, se nada for feito, milhões de pessoas vão morrer. Infelizmente não é a descrição de alguma trama distópica — como eu bem gostaria! —  é a conclusão de um estudo publicado pelo IPCC, o painel intergovernamental de mudanças climáticas da ONU, fundado em 1988. Não é a conclusão de um estudo, nem mesmo de uma dezena deles, é o resultado da análise de dados vindos de centenas de organizações e cientistas distribuídos pelo mundo que compartilham seus dados, sem qualquer tipo de compensação financeira, totalizando por volta de 6.000 fontes primárias de informação. Você pode encontrar o estudo completo aqui ou ir direto ao estudo em uma versão condensada para tomadores de decisão.

Mais assustador que qualquer monstro

É alarmante e assustador. Basicamente: a humanidade, i.e. o conjunto de seres humanos que habitam este planeta nesse exato momento,  têm 12 anos para mudar drasticamente os rumos de nosso futuro, como o canal Second Thought ilustra nossa situação nesse vídeo que, está em inglês, mas faz um excelente trabalho em explicar por que deveríamos estar preocupados com os efeitos do Aquecimento Global e por que esse relatório é tão tão sombrio.

Continue lendo “Quem tem medo do aquecimento global?”

“Brasil, uma profecia”

No último dia 12 de outubro publiquei após um longo hiato, um conto distópico sobre o Brasil governado por um presidente extremista. Entre os dias 13 e 17 o livro estará disponível gratuitamente para download na Amazon.

O conto é dedicado ao Clube de Leitura da Blooks SP pois foi nesse clube de leitura, dedicado à ficção científica que eu participo desde seu primeiro encontro em 2016 que eu me reconectei, junto com outras variáveis igualmente importantes, à escrita. Posso afirmar que o clube foi o catalisador criativo para mim. Trocar de uma forma totalmente horizontal as experiências de leituras com outras pessoas e ver como tramas, personagens e ideias são espalhados me deixou muito interessado a voltar a explorar esta faceta de minha existência.

De certa forma e grau, sempre fui interessado em leitura e mesmo em escrita — produzir narrativas e histórias é algo que eu sempre tive, ainda que muito tempo não exercitasse. Em 2007 eu cheguei a publicar minha primeira tentativa (e falha) em narrativas: uma novela chamada “EQM – Experiências de Quase Morte” sobre uma empresa oferecendo aos seus clientes a possibilidade de passar por essas experiências em um ambiente controlado e mudar suas vidas.

Foi publicada de forma independente através de “mecenato” como eu chamei a vaquinha que fiz com os leitores do meu blog na época, que se chamava 1001 Gatos de Schrödinger. Consegui levantar o dinheiro necessário na época em menos de 24 horas em uma época que o nome crowdfunding ainda nem era utilizado — eu havia me baseado nas ideias do Kevin Kelly na postagem “1000 True Fans”.

Após isso eu acabei escrevendo ainda alguns contos pequenos e uma outras duas novelas, que nunca publiquei, uma sobre uma guerra separatista de São Paulo que eu chamava “Declínio e Queda do Império Americano” e uma outra que eu não conclui mas que na época acreditava que escreveria e levei ao Catarse, com o nome “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam”. Mas a verdade é que desde o lançamento de “EQM” eu estava criativamente insatisfeito com os resultados da mesma.

Continue lendo ““Brasil, uma profecia””