Pilha Infinita ∞ + 3

Este é o número 3 da Pilha Infinita, meu resumo regular de leituras, filmes, papers, vídeos & ideias que ando explorando. Se inscreva para ser avisado da publicação 🙂


“Gods and Robots: Myths, Machines, and Ancient Dreams of Technology”, Adrienne Mayor (2018)

Li “Gods and Robots” esta semana como uma forma de entender nossas relações históricas com robôs, autômatos & outras formas de tecnologia. Ainda que o livro seja bem centralizado em mitos e material greco-romano, traz informações chinesas & indianas de uma rica e envolvente história dos humanos imaginando criaturas “feitas, não nascidas” criadas por deuses ou outros humanos e nossas relações com eles e como isso se reflete, de forma assustadoramente familiar nas nossas questões atuais em relação às tecnologias.

Como a autora faz questão de frisar em vários momentos, é importante resistir à tentação de projetar motivações e suposições modernas de tecnologia sobre o mundo antigo. E realmente é bem fácil cair em uma espécie de “pensamento mágico” que começa a traçar uma linha clara entre os mitos & a tecnologia atual.

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10 melhores filmes que assisti em 2018

Revi muitos filmes este ano, mas compus esta lista apenas com os filmes que vi pela primeira vez no último ano e me impactaram mais. Ficou muitos fora da lista, mas listar é fazer escolhas, e estas foram as minhas. Como sempre a ordem não é de “melhor para menos melhor” pois não acho que dê para comparar muito a gradação do quanto eu gostei deste ou daquele. E eu também não coloco em minhas listas obras necessariamente deste ano, mas sim de qualquer época, mas que eu tenha descoberto nesse ano.


“Rebecca”, Alfred Hitchcock (1940) – no Brasil, “Rebecca, a Mulher Inesquecível”

Algo que costumo fazer é ver filmes tematicamente. Alguns podem ser mais focados como “filmes do diretor X” e outros mais arbitrários como “filmes com cores saturadas”. Esta eu juntei duas: ver filmes do Hitchcok e filmes com a temática de fantasma. Pelo menos o filme, é bem mais focado no psicológico em detrimento de qualquer acontecimento sobrenatural, mas achei um estudo bem interessante. Filme com uma ótima atmosfera e interessante até o fim.


“Shin Gojira”, Hideaki Anno e Shinji Higuchi (2016), no mercado internacional, “Godzilla Resurgence”

Este filme é um verdadeiro evento. Talvez tenha se valor só pelas cenas envolvendo o Godzilla, que nessa espécie de reboot por Hideaki Anno, criador de Evangelion e Shinji Higuchi, passa por evoluções como um Pokémon e possui um dos ataques mais inesperados e interessantes que já vi no cinema e pelo lado positivo! Só destacado isso pois uma das minhas surpresas no lado negativo este ano no cinema também foi em um filme do Godzilla, na década de 70 em que ele encontra uma forma um tanto sui generis de sair voando.

Mas para mim o grande potencial, e daí meu encantamento pela estrutura narrativa do filme é como eles narram um esforço coletivo do governo japonês em lidar com a ameaça.

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Pilha Infinita ∞ + 2

Este é o número 2 da minha newsletter, a Pilha Infinita. O objetivo é compartilhar algumas das coisas que estou lendo, pesquisando, explorando, assistindo e pesquisando. Se inscreva para ser avisado em primeira mão da publicação 🙂


Godzilla, arauto do antropoceno

Esta semana saiu um novo trailer para o próximo filme do Godzilla feito por um estúdio americano após o bem sucedido Godzilla de 2014, que ainda que não seja uma obra-prima, é muito superior ao infame “filme da Iguana” de 1998.

Uma das falas no trailer de “Godzilla: The King of the Monsters” chamou minha atenção. O diálogo é mais ou menos o seguinte, alguém ironiza o cientista do filme que ele quer tornar “Godizlla nosso animal de estimação” e ele afirma, que é precisamente o inverso, nós somos os animais de estimação dele. Sempre gostei muito dessa interpretação, ou melhor, dessa visão que muitos personagens assumem ao longo da série. Já que, pensando do ponto de vista não-humano, essas narrativas de que fazemos, ou ainda, diegeticamente, ouvimos de cientistas & pessoas, não passam de interpretações contextuais de uma realidade absolutamente não-humana do qual nunca teremos acesso, chamá-los de “guardiões” e mesmo “deuses”, não parece fazer muito sentido. Assim como Godzilla traz a destruição em seu próprio caminhar pela Terra, do qual ele parece ter pouco ou nenhum entendimento de que ele está destruindo o habitat de uma espécie. Como tenho me aprofundado em OOO, e sua visão do desastre das mudanças climáticas é essencialmente, “o desastre já aconteceu”, fiquei pensando em como ele é uma espécie de arauto do antropoceno.

Fiquei então com vontade de ver o filme original, Godzilla de 1954. E basicamente, o filme deixa bem claro que o Godzilla simplesmente está atacando pois, nas palavras do paleontólogo que investiga, “retirado de seu santuário” com os experimentos atômicos realizados pelos EUA. Há inclusive um debate em determinado momento para não se revelar a público a existência do monstro, uma vez que poderia prejudicar as relações diplomáticas. A solução inclusive é um novo tipo de inovação tecnológica, que seu criador teme caia nas mãos dos exércitos e se torne uma arma de destruição em massa como a bomba H, a chamada “Oxygen Destroyer”. Inclusive a cabeça ovalada do Godzilla foi feita assim para lembrar o cogumelo nuclear e sua pele irregular as feridas derivadas da exposição à radiação, traços que o Godzilla não apenas deixa por onde passa, mas é seu principal ataque, o “bafo atômico” (minha tradução de “atomic breath”, não sei a tradição canônica do termo). Godzilla então é a personificação dessas forças destrutivas, que acorda forças primais do planeta.

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10 melhores livros que li em 2018

Costumava fazer essas retrospectivas no Facebook, mas acredito que faz muito mais sentido fazer no meu próprio “quintal” digital ainda que o link vá circular por lá.  A ideia é mais um exercício pessoal de olhar para trás e analisar o que de melhor eu li e como eu acredito que essas obras me impactaram.  A ordem não é de “melhor para menos melhor” pois não acho que dê para comparar muito a gradação do quanto eu gostei deste ou daquele. E note que são livros que li em 2018, não são necessariamente edições deste ano ou mesmo lançamentos, ainda que um ou outro sejam, mas apenas os que li. Sempre fica coisa de fora e me pego pensando “deveria ter colocado X” ou “Ah e Y! Poxa, esqueci Y” , mas uma lista tal como essa, é sempre incompleta e assumindo isso, aqui vou eu:


“O Idiota”, Fiódor Dostoiévski

Talvez um dos maiores livros que eu tenha lido na vida. O Príncipe Míchkin me impactou muito, assim como vários personagens ao longo do livro. “O Idiota” é o segundo, cronologicamente na composição, dos “Cinco Elefantes” escritos por Dostoiévski (“Crime e Castigo”, “O Idiota”, “Os Demônios”, “O Adolescente” e “Os Irmãos Karamazov”), apelido dado aos romances da maturidade do escritor no documentário “Die Frau mit den 5 Elefanten” (A mulher com os 5 elefantes), sobre a história de Svetlana Geier, que traduziu do original os cinco grandes romances, só que para o alemão. No Brasil, a tarefa coube a Paulo Bezerra, e a Folha fez uma matéria a respeito.

Dostoiévski te leva a fundo na alma humana, e olha, algumas visões são terríveis, terríveis. Mas, sempre, necessárias. Recomendo com muita ênfase que busquem as edições da editora 34. Na adolescência gravitei para tentar ler os romances dele mas as traduções do francês me afastaram de conhecer sua obra antes, o que só foi possível com as competentes traduções desta casa editorial. Tudo deles e o trabalho do Rubens Figueiredo, pela Cosac antes e agora Cia das Letras e Todavia, recomendo de olhos fechados. Eles o te levarão a um caminho sem volta para se apaixonar por literatura russa!

Meu projeto atual de leitura é ler os cinco elefantes na ordem em que foram escritos, estou agora para iniciar “Os Demônios”.

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