Pilha Infinita ∞ + 8

Uma lista rápida do que explorei no último mês:

“No Immediate Danger: Volume One – Carbon Ideologies” – robusto livro de não ficção de William T. Vollmann, que se pretende explorar as ideologias do carbono e nossa relação com as mesmas. O primeiro volume faz um apanhado geral de estatísticas, medidas e aborda a questão nuclear, se focando no desastre em Fukushima, que recebe ao lado de Chernobyl a maior classificação existente no tamanho do desastre, que o governo local declarou “sem perigo imediato”, se tornando o título deste livro.

Chernobyl – A excelente mini-série da HBO sobre o desastre de Chernobyl em 1986. Me lançou em uma espiral de leituras e documentários sobre desastres nucleares, que entrou em sincronia com o “No Immediate Danger”. Série incrível, que cada episódio te deixa boquiaberto, uma história incrível, mais assustadora ainda por retratar um acontecimento real.

It’s the End of the World and They Know It: How Dystopian Fiction Shapes Political Attitudes – um interessante paper que discute o impacto, se existente, de ficções distópicas nas atitudes e crenças políticas da audiência. Acredito que é um tema bem rico de discussão, mas me lançou a me questionar se existe tal correlação (assim os autores concluem), então o público é igualmente influenciado politicamente por ficções em geral? Pois toda ficção carrega algum tipo de ideologia. O uso de armas e força física para resolução de conflitos, etc.

“A Vegetariana – livro que se lê rapidamente, sobre uma jovem alterando seus hábitos e tendo um processo de metamorfose. Achei a narrativa bem competente, muito bem escrito, mas de algo forma, senti como se o livro acabasse sem terminar a história.

“Escrever Ficção: um manual de criação literária” – Ótimo livro do Luiz Antonio de Assis Brasil que conduz através de vários pontos a respeito da criação literária. Gostei bastante — Estando no último mês imerso em ler livros desse tipo, a respeito do escrever, este me pareceu bem orgânico, fruto de muitos anos e reflexão e ao mesmo tempo, bem pragmático e menos dogmático do que costumam ser.

“Intermitências da Morte” – Fazia mais de uma década que não lia nada do Saramago! Foi para o clube de leitura que faço parte, e que completou 3 anos no último encontro. Achei um livro interessante, ainda que superficial em alguns momentos — acho que ele se concentrou mais em ser espirituoso e irônico em alguns momentos, e ficou pela superfície, mas no geral, um tremendo de um livro bem escrito.

DigiLabour – Newsletter semanal sobre tecnologia e mundo do trabalho, que rapidamente se tornou uma de minhas leituras regulares predileta, muito bem escrita, rica em conteúdo e extremamente relevante em seu tema.

“Magic: The Gathering is Turing Complete” – outro paper, explorando a prova dos autores de que Magic, para minha surpresa confesso, possui Turing-Completude! Em poucas palavras, significa que regras seguidas em sequência sobre dados arbitrários podem produzir o resultado de qualquer cálculo – Magic pode ser entendido como um computador, ou melhor, produzir computação. A matéria do Technology Review diz que com isso, oficialmente, se torna o jogo mais complexo do mundo.

“Into the Woods: A five-act journey into story”– Outro livro sobre escrever histórias, que vai argumentar sobre o poder das histórias de cinco atos e também tentar fazer uma meta-análise de vários outros “métodos” ou “abordagens” sobre o tema. O resultado é mais ou menos a marca do gênero: alguns pontos interessantes e que te fazem realmente pensar e momentos nem um pouco brilhantes ou confusos.

“Wonderbook: the Illustrated Guide to Creating Imaginative Fiction”– lendo agora na versão expandida e revisada. É um livro que ainda que fosse apenas pelas ilustrações e diagramas já valeria a pena, mas por Vandermeer focar o livro na escrita fantástica / especulativa por padrão, confere a esta obra uma aura especial, que me atraí particularmente e também leva a usar um jargão e explorações que me são muito mais familiares e arriscaria dizer, confortáveis. Um livro, realmente, de maravilhas.

Pilha Infinita ∞ + 7


Chegamos ao número 7 da Pilha Infinita, um espaço regular de reflexão do que andei lendo, assistindo e explorando. Teve sessão de Vingadores, Italo Calvino, Duna, e mais! Se inscreva para ser avisado das novas postagens.


“Duna”, Frank Herbert

Na adolescência eu tinha avançado bastante na leitura de “Duna” mas desistido por qualquer motivo que não me lembro precisamente. Alguns livros eu simplesmente tinha que devolver para a biblioteca e ao invés de renovar estava mais interessado em tentar um ou outro que tinha despertado meu interesse e “Duna” foi um desses que eu não concluí. Sempre tive esse débito para com esse livro, e universo, tão importante para o gênero da ficção-científica. Foi o escolhido pelo clube de leitura que faço parte para este último mês e foi uma ótima oportunidade de revisitar e finalmente concluir a leitura e também já ler a obra antes da esperada nova adaptação que será dirigida pelo Denis Villeneuve. Um Universo riquíssimo e interessante e que parece muitas vezes superior à própria história e protagonistas.


“Desobedecer”, Frédéric Gros

Acho a coleção “Exit” da editora Ubu, uma das mais instigantes linhas editoriais contemporâneas, dialogando com nossa sociedade em vários níveis. Este é o terceiro livro da série que leio e sempre encontro obras que mergulham em um tema bem delimitado e me oferecem uma perspectiva sólida, bem pesquisada e explorada. Aqui o autor tenta traçar toda a teoria de desobediência civil, antes fazendo uma longa exploração de por que, em primeiro lugar, obedecemos. Acredito que é uma leitura muito informativa, para qualquer pessoa, pois lança luz para relações de poder e regras que muitas vezes nos são invisíveis, como água para os peixes, algo do qual estamos imersos, intermediando todas as nossas relações e modo de existência e podemos estar totalmente ignorantes de sua existência. Ou ainda pior, sendo levados por uma corrente específica sem nos dar conta de seus processos. Importante para pensar criticamente a cidadania.


“Se um viajante numa noite de inverno”, Italo Calvino

Delicioso livro com um jogo metalinguístico que vai deliciar todos os leitores e também aspirantes a escritores nesse jogo narrativo. Quando eu achava que o livro poderia se tornar “repetitivo”, com alguns expedientes de metalinguagem, ele me surpreendia sempre. Recomendo a leitura, totalmente! Uma das personagens inclusive em certo momento com o escritor diz que não podia ler o livro pois “estava sem seu computador”. Basicamente por que, acadêmica, ela coloca o livro em uma programa que dizia a ela a frequência das palavras e então com a lista das palavras mais citadas, ela teria assim uma ideia do que o livro é, teria “lido” o livro.

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2018 em perspectiva

É sempre bom relembrar o que se passou no ano. Serve para ter em perspectiva o caminho que mesmo sem nos darmos conta, estamos seguindo. E com isso. ajustar rotas ou acelerar de vez. Este é um pedaço do meu ano, que foi um dos mais intensos. No campo pessoal passei por altos & baixos. Tive que me mudar repentinamente de casa, fiquei desalojado por um período de tempo, comecei um relacionamento que enche minha vida de significado, e recentemente tive uma perda bem grande me afeta ainda, mas que aos poucos estou lidando.


Escrita

Em 2017 eu comecei a manter um “calendário de produtividade”. Basicamente eu coloco um “X” em cada dia que eu consigo produzir, o ideal é continuar nesse fluxo, de produção. “Não quebre a corrente!”, é uma dica de produtividade do Jerry Seinfield. Cada dia que você trabalha em seu projeto, você faz um sinal. E no dia seguinte. E então no seguinte. O importante, para finalizar seu projeto ele diz, é simples: Não quebre a corrente! Os efeitos são bons e alguns dias são pesados e difíceis mas é importante não quebrar a corrente. É claro, que eu quebro, e muito, mas o importante é tentar manter o ritmo. Este foi foi uma foto tirada em 21 de março de 2017 quando iniciei essa metodologia:

E com isso, ao final do ano eu consegui identificar padrões e ter uma visão mais palpável de minha produtividade, cujo extrato do ano passado foi esta:

107 dias de produção. Melhores dias da semana em que produzi, em ordem: domingo, terça e quinta. Em ordem, os piores dias: sexta e quarta. Tirando sábados e domingos todos os dias eu produzo após o trabalho


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10 melhores filmes que assisti em 2018

Revi muitos filmes este ano, mas compus esta lista apenas com os filmes que vi pela primeira vez no último ano e me impactaram mais. Ficou muitos fora da lista, mas listar é fazer escolhas, e estas foram as minhas. Como sempre a ordem não é de “melhor para menos melhor” pois não acho que dê para comparar muito a gradação do quanto eu gostei deste ou daquele. E eu também não coloco em minhas listas obras necessariamente deste ano, mas sim de qualquer época, mas que eu tenha descoberto nesse ano.


“Rebecca”, Alfred Hitchcock (1940) – no Brasil, “Rebecca, a Mulher Inesquecível”

Algo que costumo fazer é ver filmes tematicamente. Alguns podem ser mais focados como “filmes do diretor X” e outros mais arbitrários como “filmes com cores saturadas”. Esta eu juntei duas: ver filmes do Hitchcok e filmes com a temática de fantasma. Pelo menos o filme, é bem mais focado no psicológico em detrimento de qualquer acontecimento sobrenatural, mas achei um estudo bem interessante. Filme com uma ótima atmosfera e interessante até o fim.


“Shin Gojira”, Hideaki Anno e Shinji Higuchi (2016), no mercado internacional, “Godzilla Resurgence”

Este filme é um verdadeiro evento. Talvez tenha se valor só pelas cenas envolvendo o Godzilla, que nessa espécie de reboot por Hideaki Anno, criador de Evangelion e Shinji Higuchi, passa por evoluções como um Pokémon e possui um dos ataques mais inesperados e interessantes que já vi no cinema e pelo lado positivo! Só destacado isso pois uma das minhas surpresas no lado negativo este ano no cinema também foi em um filme do Godzilla, na década de 70 em que ele encontra uma forma um tanto sui generis de sair voando.

Mas para mim o grande potencial, e daí meu encantamento pela estrutura narrativa do filme é como eles narram um esforço coletivo do governo japonês em lidar com a ameaça.

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