Pilha Infinita ∞ + 7


Chegamos ao número 7 da Pilha Infinita, um espaço regular de reflexão do que andei lendo, assistindo e explorando. Teve sessão de Vingadores, Italo Calvino, Duna, e mais! Se inscreva para ser avisado das novas postagens.


“Duna”, Frank Herbert

Na adolescência eu tinha avançado bastante na leitura de “Duna” mas desistido por qualquer motivo que não me lembro precisamente. Alguns livros eu simplesmente tinha que devolver para a biblioteca e ao invés de renovar estava mais interessado em tentar um ou outro que tinha despertado meu interesse e “Duna” foi um desses que eu não concluí. Sempre tive esse débito para com esse livro, e universo, tão importante para o gênero da ficção-científica. Foi o escolhido pelo clube de leitura que faço parte para este último mês e foi uma ótima oportunidade de revisitar e finalmente concluir a leitura e também já ler a obra antes da esperada nova adaptação que será dirigida pelo Denis Villeneuve. Um Universo riquíssimo e interessante e que parece muitas vezes superior à própria história e protagonistas.


“Desobedecer”, Frédéric Gros

Acho a coleção “Exit” da editora Ubu, uma das mais instigantes linhas editoriais contemporâneas, dialogando com nossa sociedade em vários níveis. Este é o terceiro livro da série que leio e sempre encontro obras que mergulham em um tema bem delimitado e me oferecem uma perspectiva sólida, bem pesquisada e explorada. Aqui o autor tenta traçar toda a teoria de desobediência civil, antes fazendo uma longa exploração de por que, em primeiro lugar, obedecemos. Acredito que é uma leitura muito informativa, para qualquer pessoa, pois lança luz para relações de poder e regras que muitas vezes nos são invisíveis, como água para os peixes, algo do qual estamos imersos, intermediando todas as nossas relações e modo de existência e podemos estar totalmente ignorantes de sua existência. Ou ainda pior, sendo levados por uma corrente específica sem nos dar conta de seus processos. Importante para pensar criticamente a cidadania.


“Se um viajante numa noite de inverno”, Italo Calvino

Delicioso livro com um jogo metalinguístico que vai deliciar todos os leitores e também aspirantes a escritores nesse jogo narrativo. Quando eu achava que o livro poderia se tornar “repetitivo”, com alguns expedientes de metalinguagem, ele me surpreendia sempre. Recomendo a leitura, totalmente! Uma das personagens inclusive em certo momento com o escritor diz que não podia ler o livro pois “estava sem seu computador”. Basicamente por que, acadêmica, ela coloca o livro em uma programa que dizia a ela a frequência das palavras e então com a lista das palavras mais citadas, ela teria assim uma ideia do que o livro é, teria “lido” o livro.

Continue lendo…

2018 em perspectiva

É sempre bom relembrar o que se passou no ano. Serve para ter em perspectiva o caminho que mesmo sem nos darmos conta, estamos seguindo. E com isso. ajustar rotas ou acelerar de vez. Este é um pedaço do meu ano, que foi um dos mais intensos. No campo pessoal passei por altos & baixos. Tive que me mudar repentinamente de casa, fiquei desalojado por um período de tempo, comecei um relacionamento que enche minha vida de significado, e recentemente tive uma perda bem grande me afeta ainda, mas que aos poucos estou lidando.


Escrita

Em 2017 eu comecei a manter um “calendário de produtividade”. Basicamente eu coloco um “X” em cada dia que eu consigo produzir, o ideal é continuar nesse fluxo, de produção. “Não quebre a corrente!”, é uma dica de produtividade do Jerry Seinfield. Cada dia que você trabalha em seu projeto, você faz um sinal. E no dia seguinte. E então no seguinte. O importante, para finalizar seu projeto ele diz, é simples: Não quebre a corrente! Os efeitos são bons e alguns dias são pesados e difíceis mas é importante não quebrar a corrente. É claro, que eu quebro, e muito, mas o importante é tentar manter o ritmo. Este foi foi uma foto tirada em 21 de março de 2017 quando iniciei essa metodologia:

E com isso, ao final do ano eu consegui identificar padrões e ter uma visão mais palpável de minha produtividade, cujo extrato do ano passado foi esta:

107 dias de produção. Melhores dias da semana em que produzi, em ordem: domingo, terça e quinta. Em ordem, os piores dias: sexta e quarta. Tirando sábados e domingos todos os dias eu produzo após o trabalho


Continue lendo

10 melhores filmes que assisti em 2018

Revi muitos filmes este ano, mas compus esta lista apenas com os filmes que vi pela primeira vez no último ano e me impactaram mais. Ficou muitos fora da lista, mas listar é fazer escolhas, e estas foram as minhas. Como sempre a ordem não é de “melhor para menos melhor” pois não acho que dê para comparar muito a gradação do quanto eu gostei deste ou daquele. E eu também não coloco em minhas listas obras necessariamente deste ano, mas sim de qualquer época, mas que eu tenha descoberto nesse ano.


“Rebecca”, Alfred Hitchcock (1940) – no Brasil, “Rebecca, a Mulher Inesquecível”

Algo que costumo fazer é ver filmes tematicamente. Alguns podem ser mais focados como “filmes do diretor X” e outros mais arbitrários como “filmes com cores saturadas”. Esta eu juntei duas: ver filmes do Hitchcok e filmes com a temática de fantasma. Pelo menos o filme, é bem mais focado no psicológico em detrimento de qualquer acontecimento sobrenatural, mas achei um estudo bem interessante. Filme com uma ótima atmosfera e interessante até o fim.


“Shin Gojira”, Hideaki Anno e Shinji Higuchi (2016), no mercado internacional, “Godzilla Resurgence”

Este filme é um verdadeiro evento. Talvez tenha se valor só pelas cenas envolvendo o Godzilla, que nessa espécie de reboot por Hideaki Anno, criador de Evangelion e Shinji Higuchi, passa por evoluções como um Pokémon e possui um dos ataques mais inesperados e interessantes que já vi no cinema e pelo lado positivo! Só destacado isso pois uma das minhas surpresas no lado negativo este ano no cinema também foi em um filme do Godzilla, na década de 70 em que ele encontra uma forma um tanto sui generis de sair voando.

Mas para mim o grande potencial, e daí meu encantamento pela estrutura narrativa do filme é como eles narram um esforço coletivo do governo japonês em lidar com a ameaça.

Continue lendo

10 melhores livros que li em 2018

Costumava fazer essas retrospectivas no Facebook, mas acredito que faz muito mais sentido fazer no meu próprio “quintal” digital ainda que o link vá circular por lá.  A ideia é mais um exercício pessoal de olhar para trás e analisar o que de melhor eu li e como eu acredito que essas obras me impactaram.  A ordem não é de “melhor para menos melhor” pois não acho que dê para comparar muito a gradação do quanto eu gostei deste ou daquele. E note que são livros que li em 2018, não são necessariamente edições deste ano ou mesmo lançamentos, ainda que um ou outro sejam, mas apenas os que li. Sempre fica coisa de fora e me pego pensando “deveria ter colocado X” ou “Ah e Y! Poxa, esqueci Y” , mas uma lista tal como essa, é sempre incompleta e assumindo isso, aqui vou eu:


“O Idiota”, Fiódor Dostoiévski

Talvez um dos maiores livros que eu tenha lido na vida. O Príncipe Míchkin me impactou muito, assim como vários personagens ao longo do livro. “O Idiota” é o segundo, cronologicamente na composição, dos “Cinco Elefantes” escritos por Dostoiévski (“Crime e Castigo”, “O Idiota”, “Os Demônios”, “O Adolescente” e “Os Irmãos Karamazov”), apelido dado aos romances da maturidade do escritor no documentário “Die Frau mit den 5 Elefanten” (A mulher com os 5 elefantes), sobre a história de Svetlana Geier, que traduziu do original os cinco grandes romances, só que para o alemão. No Brasil, a tarefa coube a Paulo Bezerra, e a Folha fez uma matéria a respeito.

Dostoiévski te leva a fundo na alma humana, e olha, algumas visões são terríveis, terríveis. Mas, sempre, necessárias. Recomendo com muita ênfase que busquem as edições da editora 34. Na adolescência gravitei para tentar ler os romances dele mas as traduções do francês me afastaram de conhecer sua obra antes, o que só foi possível com as competentes traduções desta casa editorial. Tudo deles e o trabalho do Rubens Figueiredo, pela Cosac antes e agora Cia das Letras e Todavia, recomendo de olhos fechados. Eles o te levarão a um caminho sem volta para se apaixonar por literatura russa!

Meu projeto atual de leitura é ler os cinco elefantes na ordem em que foram escritos, estou agora para iniciar “Os Demônios”.

Continue lendo