Pilha Infinita ∞ + 3

Este é o número 3 da Pilha Infinita, meu resumo regular de leituras, filmes, papers, vídeos & ideias que ando explorando. Se inscreva para ser avisado da publicação 🙂


“Gods and Robots: Myths, Machines, and Ancient Dreams of Technology”, Adrienne Mayor (2018)

Li “Gods and Robots” esta semana como uma forma de entender nossas relações históricas com robôs, autômatos & outras formas de tecnologia. Ainda que o livro seja bem centralizado em mitos e material greco-romano, traz informações chinesas & indianas de uma rica e envolvente história dos humanos imaginando criaturas “feitas, não nascidas” criadas por deuses ou outros humanos e nossas relações com eles e como isso se reflete, de forma assustadoramente familiar nas nossas questões atuais em relação às tecnologias.

Como a autora faz questão de frisar em vários momentos, é importante resistir à tentação de projetar motivações e suposições modernas de tecnologia sobre o mundo antigo. E realmente é bem fácil cair em uma espécie de “pensamento mágico” que começa a traçar uma linha clara entre os mitos & a tecnologia atual.

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Pilha Infinita ∞ + 2

Este é o número 2 da minha newsletter, a Pilha Infinita. O objetivo é compartilhar algumas das coisas que estou lendo, pesquisando, explorando, assistindo e pesquisando. Se inscreva para ser avisado em primeira mão da publicação 🙂


Godzilla, arauto do antropoceno

Esta semana saiu um novo trailer para o próximo filme do Godzilla feito por um estúdio americano após o bem sucedido Godzilla de 2014, que ainda que não seja uma obra-prima, é muito superior ao infame “filme da Iguana” de 1998.

Uma das falas no trailer de “Godzilla: The King of the Monsters” chamou minha atenção. O diálogo é mais ou menos o seguinte, alguém ironiza o cientista do filme que ele quer tornar “Godizlla nosso animal de estimação” e ele afirma, que é precisamente o inverso, nós somos os animais de estimação dele. Sempre gostei muito dessa interpretação, ou melhor, dessa visão que muitos personagens assumem ao longo da série. Já que, pensando do ponto de vista não-humano, essas narrativas de que fazemos, ou ainda, diegeticamente, ouvimos de cientistas & pessoas, não passam de interpretações contextuais de uma realidade absolutamente não-humana do qual nunca teremos acesso, chamá-los de “guardiões” e mesmo “deuses”, não parece fazer muito sentido. Assim como Godzilla traz a destruição em seu próprio caminhar pela Terra, do qual ele parece ter pouco ou nenhum entendimento de que ele está destruindo o habitat de uma espécie. Como tenho me aprofundado em OOO, e sua visão do desastre das mudanças climáticas é essencialmente, “o desastre já aconteceu”, fiquei pensando em como ele é uma espécie de arauto do antropoceno.

Fiquei então com vontade de ver o filme original, Godzilla de 1954. E basicamente, o filme deixa bem claro que o Godzilla simplesmente está atacando pois, nas palavras do paleontólogo que investiga, “retirado de seu santuário” com os experimentos atômicos realizados pelos EUA. Há inclusive um debate em determinado momento para não se revelar a público a existência do monstro, uma vez que poderia prejudicar as relações diplomáticas. A solução inclusive é um novo tipo de inovação tecnológica, que seu criador teme caia nas mãos dos exércitos e se torne uma arma de destruição em massa como a bomba H, a chamada “Oxygen Destroyer”. Inclusive a cabeça ovalada do Godzilla foi feita assim para lembrar o cogumelo nuclear e sua pele irregular as feridas derivadas da exposição à radiação, traços que o Godzilla não apenas deixa por onde passa, mas é seu principal ataque, o “bafo atômico” (minha tradução de “atomic breath”, não sei a tradição canônica do termo). Godzilla então é a personificação dessas forças destrutivas, que acorda forças primais do planeta.

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Pilha Infinita ∞ + 1

Este é o número inaugural da minha newsletter, a Pilha Infinita. O objetivo é compartilhar algumas das coisas que estou lendo, pesquisando, explorando, assistindo e pesquisando.

“Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política”, Evgeny Morozov, 2018 pela Ubu, livro físico 

Acompanho o trabalho do Morozov desde que li, anos atrás o livro “To Save Everything, Click Here” em que ele denunciava o que chamou de “solucionismo”, uma prática corrente do Vale do Silício mas que foi exportada com muito sucesso para todo o mundo de que basta linhas de código e todos os problemas do mundo serão resolvidos. Eu mesmo já estive completamente imerso nesse contexto, fui “co-fundador” de uma startup e participei de dezenas de eventos como participante e mais tarde mentor. Sistemas e relações complexas não conseguem ser resolvidos de forma simples por mais que seu aplicativo pareça incrível, mas é incrível como é sedutor esses “Simplificadores absolutos” que nos levam a acreditar que problemas e fenômenos complexos tem soluções e causas simples.  Nos ensaios do livro, Morozov aborda mais uma vez isso contextualizando política e economicamente a colonização tecnológica que estamos imersos e muitas vezes nem nos damos conta. Livro fundamental para se pensar criticamente o momento atual em nossa sociedade.

Acompanhe o autor no Twitter. O livro está disponível na versão física, inclusive direto da editora, e digital, na AmazonLeitura imprescindível.

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