Pilha Infinita ∞ + 3

Este é o número 3 da Pilha Infinita, meu resumo regular de leituras, filmes, papers, vídeos & ideias que ando explorando. Se inscreva para ser avisado da publicação 🙂


“Gods and Robots: Myths, Machines, and Ancient Dreams of Technology”, Adrienne Mayor (2018)

Li “Gods and Robots” esta semana como uma forma de entender nossas relações históricas com robôs, autômatos & outras formas de tecnologia. Ainda que o livro seja bem centralizado em mitos e material greco-romano, traz informações chinesas & indianas de uma rica e envolvente história dos humanos imaginando criaturas “feitas, não nascidas” criadas por deuses ou outros humanos e nossas relações com eles e como isso se reflete, de forma assustadoramente familiar nas nossas questões atuais em relação às tecnologias.

Como a autora faz questão de frisar em vários momentos, é importante resistir à tentação de projetar motivações e suposições modernas de tecnologia sobre o mundo antigo. E realmente é bem fácil cair em uma espécie de “pensamento mágico” que começa a traçar uma linha clara entre os mitos & a tecnologia atual.

O livro é bem rico e traz muitas referências. Para quem curte anotar nomes & referências e perseguir o coelho através do buraco, é um prato cheio, bem servido. Entre as várias histórias, uma que me surpreendeu em ter relação com a tecnologia é o mito de Pandora. Ela, é uma criatura “feita, não nascida” por Héfesto, que é o deus da forja e notório criador de autômatos como Talos & outros. A tese da autora, coloca Pandora como um ginóide.

Recomendo o casamento entre mitologias & lendas com as mais modernas tecnologias (tem até passagem na Odisséia e Ilíada com barcos autômatos, como os carros que são uma de nossas mais palpáveis obsessões tecnológicas agora).


“Object-Oriented Ontology: A New Theory of Everything”, Graham Harman (2018)

Apenas comecei a ler este livro de filosofia, sobre o campo, que estou fascinado em me aprofundar no momento, Ontologia Orientada a Objetos, ou OOO. Se trata de uma exploração em uma prosa muito boa deste campo, por Graham Harman que desenvolve o conceito. Um livro pequeno, mas bem instigante.


“Do Artifacts Have Politics?”, Langdon Winner, paper (1980)

Um paper, que voltei a ler esta semana, mas que já é uma referência clássica, mas bem ignorada. No dia a dia é bem fácil ver ser reproduzido a noção de que a tecnologia seria neutra, e o potencial ou não de provocar dano é exclusivo e inerente ao agente humano. O famoso adágio “armas não matam, pessoas com armas matam” é um dos mais comuns. Reduz os objetos a apenas a uma essência destituída de seu contexto social e histórico. Mesmo a utilidade de uma tecnologia é parasitário de seu relacionamento com a sociedade que a criou. “Do Artifacts Have Politics?“, Langdon Winner é uma leitura primordial para se pensar em tecnologias e a retórica sobre a mesma assim como a forma como pensamos a seu respeito..


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