Pilha Infinita ∞ + 1

Este é o número inaugural da minha newsletter, a Pilha Infinita. O objetivo é compartilhar algumas das coisas que estou lendo, pesquisando, explorando, assistindo e pesquisando.

“Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política”, Evgeny Morozov, 2018 pela Ubu, livro físico 

Acompanho o trabalho do Morozov desde que li, anos atrás o livro “To Save Everything, Click Here” em que ele denunciava o que chamou de “solucionismo”, uma prática corrente do Vale do Silício mas que foi exportada com muito sucesso para todo o mundo de que basta linhas de código e todos os problemas do mundo serão resolvidos. Eu mesmo já estive completamente imerso nesse contexto, fui “co-fundador” de uma startup e participei de dezenas de eventos como participante e mais tarde mentor. Sistemas e relações complexas não conseguem ser resolvidos de forma simples por mais que seu aplicativo pareça incrível, mas é incrível como é sedutor esses “Simplificadores absolutos” que nos levam a acreditar que problemas e fenômenos complexos tem soluções e causas simples.  Nos ensaios do livro, Morozov aborda mais uma vez isso contextualizando política e economicamente a colonização tecnológica que estamos imersos e muitas vezes nem nos damos conta. Livro fundamental para se pensar criticamente o momento atual em nossa sociedade.

Acompanhe o autor no Twitter. O livro está disponível na versão física, inclusive direto da editora, e digital, na AmazonLeitura imprescindível.


“Poisoned Ground”, Timothy Morton, 2013, paper publicado na revista symplokē, Vol. 21, No. 1-2, pp. 37-50 

Um paper que explora um interessante conceito, o de hyperobjetos. Não é a aterrisagem mais confortável nesse grande tema que é a Ontologia Orientada a Objetos ou OOO como é conhecida pelos íntimos, mas é um camp ofascinente da filosofia contemporânea, com umas duas décadas de desenvolvimento, o que é bem recente em termos da Filosofia, com F maiúsculo. Iniciei o curso de Filosofia e por diversos motivos, não o concluí, mas sempre acompanho as discussões e novos desenvolvimentos. Fazendo a minha tradução, neste paper Morton argumenta que, neste momento no antropoceno, emerge o que ele chama de hyperobjetos, entidades massivas distribuídas que podem ser pensadas e computadas, mas não diretamente vistas ou tocadas. A simultaneamente de sua indisponibilidade e ainda assim, realidade do hyperobjeto requer uma nova e radical forma de pensar a respeito. E nesse ensaio ele argumenta que a Ontologia Orientada a Objetos é a resposta. Por exemplo, as mudanças climáticas são um hyperobjeto. Fascinante, fascinante! Estou pensando a dias nesses conceitos.

O paper se encontra no JSTOR e caso não tenha acesso, o paper para leitura sairá por 14 dólares. Como alguém que adora ler papers e descobrir novos papers de assuntos que me interessam e gosta de mergulhar nesses estudos que são as frases básicas do diálogo que é a ciência, seria impossível para mim, financeiramente, ter acesso a estes papers sempre que eu quisesse. Não sou filiado a nenhuma instituição educacional que possibilita o acesso e meu orçamento é limitado. Compro mais livros do que posso, o que acaba sendo a minha forma de compensar os autores pelos quais eu realmente apreciei o trabalho. Mas, basicamente, ficamos, “trancados para fora” desse diálogo que é a ciência. Uma alternativa é sempre buscar direto na revista, muitas vezes, curiosamente, lá você conseguirá ter acesso. Mas é claro, nem sempre. E há, ainda o Sci-Hub, que é o meu site predileto, confesso.  E este paper, por exemplo, você encontra no Sci-Hub. O Morton também nunca foi traduzido para o país, mas um dos livros dele trata exatamente de hyperobjetos e ecologia.


Hauntology, o conceito

Um conceito que ainda estou na superfície e já me levou a ler um artigo, assistir alguns vídeos e agora foi para a pilha infinita mais dois livros, que pretendo ler em breve, “Espectros de Marx” do Derrida, que é o livro em que o conceito é inaugurado (e é um livro que transformou apresentações que o filósofo francês proferiu) e o outro livro, “Ghosts of My Life: Writings on Depression, Hauntology and Lost Futures” do Mark Fisher.  Estou explorando o conceito em minha busca em mergulhar em fantasmas, que se trata o meu romance em andamento e o conceito me fascinou, ainda que seja sobre a metáfora do fantasma, mas estou mesmo disposto a explorar a polifonia e polisemia do conceito. Resumindo mas de forma nenhuma definindo, se trata de entender que os futuros imaginados “assombram” o presente, criando expectativas e uma vez que eles são abandonados, ainda assim “assombram” nossa arte, e nossa relação com o presente. 

Melhor vídeo sobre o conceito que encontrei em minhas pesquisas

Sequência Racáman

Gosto muito do canal do YouTube chamado “Numberphile“. É sempre interessante e traz conceitos matemáticos bem interessantes, revelando um pouco da mágica dos números e equações. Dentre os vários apresentadores, meu predileto é o James Grime, ele sempre está tão empolgado pela matemática que está mostrando que contagia.  O episódio da sequência Racáman explorou essa sequência criada por um colombiano, que quando ilustrada e “transformada” em música tem resultados bem interessantes. Como pode conferir:

0, 1, 3, 6, 2, 7, 13, 20, 12, 21…

E mais tarde, o genial Daniel Shiffman, em seu excelente canal sobre usos criativos da tecnologia, o The Coding Train, fez dois vídeos bem interessantes e que você pode explorar diretamente no código, o primeiro mostrando como criar a visualização da sequência utilizando JavaScript e a biblioteca p5.js que é o Processing portado para o JavaScript. E o segundo, em criar música. Formas bem interessantes de lidar com conceitos matemáticos de forma prática no código!

Criando a visulização para a Sequência Racáman
Tornando a Sequência Racáman em áudio

“O Monstro de Mariana”

Foi publicado meu conto de horror que narra o surgimento de um monstro nas lamas tóxicas da terrível tragédia no rompimento da barragem de Mariana. Uma estudante de jornalismo se torna obcecada por investigar que a leva a um encontro transformador com algo muito além do humano. Inspirado por H.P. Lovecraft, Jeff Vandermeer e Elena Ferrante. Minha postagem sobre o processo de escrita você encontra na postagem “O Monstro de Mariana” e a antologia em que o conto é publicado, diretamente na Amazon aqui.


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