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“Brasil, uma profecia”

Conto

Conto

No último dia 12 de outubro publiquei após um longo hiato, um conto distópico sobre o Brasil governado por um presidente extremista. Entre os dias 13 e 17 o livro estará disponível gratuitamente para download na Amazon.

O conto é dedicado ao Clube de Leitura da Blooks SP pois foi nesse clube de leitura, dedicado à ficção científica que eu participo desde seu primeiro encontro em 2016 que eu me reconectei, junto com outras variáveis igualmente importantes, à escrita. Posso afirmar que o clube foi o catalisador criativo para mim. Trocar de uma forma totalmente horizontal as experiências de leituras com outras pessoas e ver como tramas, personagens e ideias são espalhados me deixou muito interessado a voltar a explorar esta faceta de minha existência.

De certa forma e grau, sempre fui interessado em leitura e mesmo em escrita — produzir narrativas e histórias é algo que eu sempre tive, ainda que muito tempo não exercitasse. Em 2007 eu cheguei a publicar minha primeira tentativa (e falha) em narrativas: uma novela chamada “EQM – Experiências de Quase Morte” sobre uma empresa oferecendo aos seus clientes a possibilidade de passar por essas experiências em um ambiente controlado e mudar suas vidas.

Foi publicada de forma independente através de “mecenato” como eu chamei a vaquinha que fiz com os leitores do meu blog na época, que se chamava 1001 Gatos de Schrödinger. Consegui levantar o dinheiro necessário na época em menos de 24 horas em uma época que o nome crowdfunding ainda nem era utilizado — eu havia me baseado nas ideias do Kevin Kelly na postagem “1000 True Fans”.

Após isso eu acabei escrevendo ainda alguns contos pequenos e uma outras duas novelas, que nunca publiquei, uma sobre uma guerra separatista de São Paulo que eu chamava “Declínio e Queda do Império Americano” e uma outra que eu não conclui mas que na época acreditava que escreveria e levei ao Catarse, com o nome “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam”. Mas a verdade é que desde o lançamento de “EQM” eu estava criativamente insatisfeito com os resultados da mesma. Ganhei alguns reviews que acho que posso considerar como melhores do que eu honestamente esperaria de um escritor de boa viagem mas no meu auto exame eu havia falhado, havia falhado bastante. Via como uma novela falha, com uma trama que eu me orgulho (a parte de ficção científica eu acho bem construída, as EQMs em si e várias ideias flutuando ao redor), mas cuja finalização não foi bem conduzida. Hoje em dia eu faria tanta coisa diferente (e a verdade é que realmente espero, em algum momento do futuro, reescrevê-la).

Então eu passei de 2008 a 2016 ignorando a ideia de produzir ficção. Eu estava em negação. Então, participando do clube e lendo dois livros, que tudo mudou. O primeiro foi o livro do James Wood, “Como Funciona a Ficção”, que eu me peguei lendo apenas por gostar da tipografia que a Cosac havia escolhido para a coleção em que fora publicado — e então se tornou um livro semente para mim, me levando a muitos lugares. O segundo foi “Anna Kariênina” do Tolstói, que se tornou não apenas meu livro predileto, mas meu autor predileto. Comecei então a tentar explorar ideias em ambientes menores, controlados, como os contos. Fiz oficinas de criação literária, que me ajudaram muito. Escrevi bastante, falhei mais ainda, mas no meio disso tudo passei, pela primeira vez, a ter satisfação com o resultado do que estava criando.  É uma sensação libertadora, pois te libera para entender os seus pontos fortes e até mesmo sua criação se torna mais potente. Eu neste momento nem mesmo encontro as palavras corretas para descrever o que pretendo dizer. Mas acho que tem muito a ver com “encontrar a sua voz”, que parece ser um chavão tremendo e lugar-comum, mas analisando coisas que eu escrevia e, para ser honesto, até mesmo coisas que eu começo a escrever hoje em dia, eu vejo o quão fácil é utilizar, emular ou fazer remendos de vozes que não são suas. Acredito que encontrar a sua voz é a coisa mais difícil que temos que fazer como pessoas que criam. E como a Rainha Vermelha do Alice Através dos Espelhos, temos que continuar correndo para permanecer no mesmo lugar. Pois você tem que descobrir a sua voz para cada novo projeto, caramba, para cada novo capítulo, às vezes para cada nova solução criativa!

Estou a mais de um ano e meio trabalhando em um romance, chamado “235 Fantasmas” que não sei quando vou concluir, mas confesso que quando eu posso sentar e trabalhar nele é um dos momentos que eu me realizo criativamente, assim como os contos que venho desenvolvendo. Entre os amigos que fiz no Clube, tivemos a ideia de fazer um blog que não lançamos – ainda!  E uma das ideias era falar sobre distopias e medos. Almoçando com a Victoria conversávamos sobre o momento político em que vivemos e eu disse a ela, que o medo mais presente, mais real no momento, para mim, era o cenário de um extremista ganhando as eleições. Então fiquei pensando na responsabilidade de qualquer pessoa que cria que deve ser a de escrever sobre seus medos e seus tempos. Na época estava muito imerso em aprender mais sobre literatura russa e estava impressionado em como vários deles, na época me impressionava as atitudes do Pushkin. Falamos mais e logo a história tinha se formado em minha cabeça, então com o título “2019”.

Passei uma semana em agosto escrevendo a história, com alguns dias de mais intensidade do que outros e logo me decidi pelo mecanismo de framing de dividir a história cronologicamente de ano, mês, dia, hora, minuto e segundo, eu logo mudei para 2021 pois considerei que mudanças tão drásticas levariam um tempo maior do que o poderia acontecer em apenas um ano. E com isso, meu título caíra e pensei logo em fazer uma versão de profecia, para brincar com o tema religioso de fundo e pensei em “Brasil, uma profecia” pois ecoava o “America a profecy” dp Blake, também lidando com imagens religiosas. Após a primeira versão, enviei ao meu círculo mais próximo de amigos que me deram feedbacks importantes, fiz algumas adições e então inciei o processo mais importante de todos que foi a revisão.

Meu texto nunca passou por uma revisão profissional. Quando eu publiquei o “EQM” eu fui atrás de um pequeno selo e o que ele me oferecia pelo que eu estava disposto a levantar de dinheiro era apenas a revisão ortográfica, então eu não passei por esse processo com uma pessoa que realmente prepara o seu texto. E foi realmente incrível. Assustador também pois você está ali, vulnerável na própria estrutura do seu pensamento para alguém avaliar. Quem fez a minha foi a excelente Stéphanie Roque.

A capa & artes de divulgação ficaram a cargo da Victoria Bevilacqua que fez em muito pouco tempo uma arte bem inteligente que dialoga com a arquitetura da estrutura do enredo e eu achei incrível. Foi muito bom contar com pessoas tão talentosas para me ajudar a colocar no mundo este conto que é a primeira ficção que publico em mais de 8 anos, que eu simplesmente, nesse momento, achei que precisava escrever.

Leia “Brasil, uma profecia”


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    1. Honestamente eu também tenho muita dificuldade de ler digitalmente… Eu mesmo talvez evitasse ler. Mas respondendo, no momento não, são o mais próximas de zero. Vou ver o meu gás em produzir mais coisas para pensar se compensa colocar no papel. Mas obrigado pela passada aqui!

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