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Que tipo de escritor você é?

Ontem estava pensando nos diversos tipos de escritores. Na verdade tudo começou com uma reflexão sobre o tipo de escritor que eu era/sou. Então tentei expandir minha reflexão para os outros. Por exemplo, eu já tive “bloqueio de escritor” algumas vezes. Em trabalhos específicos, não sabia como continuar ou encerrá-lo. É um tormento. Mas sempre me ocorreu no curso de algum desenvolvimento, nunca tive bloqueio a ponto de não ter história para contar ou não saber exatamente como começar. Eu não estou blogando com frequencia devido a minha total falta de tempo e por extravasar minha criatividade em outros meios. E é bem por aí que quero chegar.

Por quê as pessoas escrevem? Digo, por que alguém se senta e diz: “Vou escrever um livro?”. O primeiro que disser algo como “hoje em dia ninguém lê mais que 140 caracteres” me fará sacar minha arma e coloco com chapéu de burro atrás da porta. Nunca antes na história da humanidade e na história do produto cultural que compreende o que chamamos de “livro” se leu tanto e sobre tantos assuntos como hoje. Nunca se publicou tantos autores, nunca se leu tanto. Ainda que se argumente que best-sellers não tem valor e blablabla, não devemos nos esquecer que deve ter algum valor para o cara que lê, gosta e recomenda. E por “ler” e “publicar” uso no sentido amplo e possível dos termos.

Ok, mas qual a resposta para a pergunta do parágrafo anterior? Com mais gente publicando fica cada vez mais difícil ser notado e, acredito que seja o mais importante, lido. Eu mesmo tenho umas doze histórias fazendo fila na minha cabeça para serem contadas. Meu grande problema nunca foi não ter o que escrever e sim ter tanto o que escrever que logo que começava um, tinha uma grande ideia para uma segunda e depois outra e depois outra, ao ponto de ter muita coisa começada, muitas cenas órfãs e muitos papéis de palnejamento e anotações de obras invisíveis. Por quê eu escrevo? Porque é a forma mais barata de arrancar isso de dentro de mim.

O Jorge Luís Borges dizia que os escritores publicam para se livrarem das histórias e ele estava certo. Ao publicar “EQM” senti um alívio tremendo e vivi sem o peso dela em minha consciência, ainda que agora, anos depois tenha voltado para me assombrar (tenho que reescrevê-la). Mas veja bem, minha imaginação é multimídiatica. Eu imagino cenas com enfoques particulares, luzes específicas, sons. A melhor tradução de minhas histórias seriam através de filmes. Mas só de pensar que filmes são coisas extremamente caras, eu já me sinto frustrado. Escrever é mais rápido, só depende de mim e é mais barato. E eu quero me livrar delas de dentro de mim.

Algumas pessoas acreditam automaticamente que, se você é um escritor, você tem algo a dizer. Ou muito a dizer. Não estou certo que seja verdade, em relação a mim ao menos. Embora tenha uma ou outra coisa a dizer sempre, eu não julgo que minha opinião poderia de alguma forma ajudar a humanidade, pelo contrário. Minhas opiniões servem muito bem para mim, e só. Embora eu sempre vá defender a democracia em qualquer esfera, meus sentimentos não são nenhum pouco democráticos. São tirânicos. O que eu tenho é uma enormidade de sentimentos e sensações a respeito do Universo que exigem tanto de mim, que tenho que mostrá-los ao mundo, ou como eu venho abordando aqui, de arrancar isso de dentro de mim. Me livrar disso.

Basicamente é por isso que eu escrevo. E você?

Não importa o tipo de escritor que você seja, por favor, expresse-se nos comentários, gostaria de saber por que você escrever.